MONTE DE LEITURAS: blog do Alfredo Monte

20/02/2018

Destaque do Blog: “Sonhos Tropicais”, de Moacyr Scliar: PRIMEIRA PARTE


 

(Uma versão da resenha abaixo foi publicada originalmente em A TRIBUNA de Santos em 20 de fevereiro de 2018)

“Há uma outra doença que, esta sim, se constitui em desafio: a febre amarela. Na última década do século XIX, a doença causou mais de vinte mil óbitos no Brasil. Na Europa – isto te envergonha profundamente –, agências de navegação anunciam viagens diretas à Argentina, sem passar pelos focos de febre amarela no Brasil. A febre amarela está nos matando, matando nossa economia. E nem sequer se tenta controlar a doença, cujo mecanismo de transmissão é desconhecido”. (Moacyr Scliar, “SONHOS TROPICAIS”).

Quem tenha testemunhado a histeria coletiva e as filas imensas para tomar a vacina contra a febre amarela (sem contar o assassinato de macacos) em lugares onde é escassa a possibilidade de epidemia, não pode imaginar que a população tenha já se revoltado contra a vacinação, ocasionando uma guerra civil com mortes e bombardeios. Esses acontecimentos do século passado são relatados em “SONHOS TROPICAIS” (1992).

Como leitor tenho problemas com a obra de Moacyr Scliar para mim, seu aclamado “A mulher que escreveu a bíblia” é um desperdício de uma ideia genial num texto rasteiro. Disseram que “A vida de Pi”, de Yann Martel, romance profundo e filosófico, era plágio de um livro de Scliar, “Max e os felinos”, uma alegoria bonitinha e mediana.

Mesmo “SONHOS TROPICAIS”, muito melhor, apresenta aspectos discutíveis. O narrador é um médico fracassado e beberrão que conta a história de Oswaldo Cruz, de uma forma que parece estar sempre o interpelando (“Como vês, Oswaldo, não tenho a menor dificuldade em falar sobre tua vida. Meus conhecimentos a respeito são admirados até pelo portuga do botequim ali na esquina; depois de uns tragos, começo a contar a história de tua vida, que ele escuta admirado: mas você sabe tudo sobre esse Oswaldo Cruz! ‘Você’, Oswaldo; não ‘o senhor’, e muito menos ‘o doutor’. Ignorará que sou médio? Talvez. Mas não ignora que sou chegado a um trago, e isto automaticamente extingue as reverências). O romance custa a engrenar e só cresce após a volta de Cruz ao Brasil. Até lá, é uma chatice.

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