MONTE DE LEITURAS: blog do Alfredo Monte

17/04/2011

O fim de LAW & ORDER

Filed under: Homenagens — alfredomonte @ 21:20
Tags: , ,

Não posso deixar de expressar aqui o meu pesar por Law & Order, a maior das séries dramáticas da televisão, ter chegado a um fim, caso Dick Wolf não consiga reverter a situação, tão inglório, embora o suposto último episódio (exibido aqui no Brasil ontem, dia 31 de agosto, pelo Universal) tenha sido muito bonito, outonal e melancólico, mas sem um único apelo ou dramalhão.

Eu primeiramente gostava mais de um dos filhotes da série, Law & Order-Criminal Intent (assim como sempre preferi Voyager entre todos os produtos Star Trek), cujas primeiras temporadas foram absolutamente admiráveis, mesmo para quem ache intragáveis os maneirismos de Vincent d´Onofrio como o sherloquiano disfuncional Robert Goren (havia a compensação da maravilhosa Kathryn Erbe como a parceira, Alex Eames, que roubava a cena com as melhores tiradas e expressões faciais). Depois, quando a série passou a patinar e os roteiros foram enfraquecendo (agora, ao que parece, com a dupla Jeff Goldblum & Saffrom Burrows, o negócio parece ter engrenado de novo, embora a dinâmica se repita: maneirismos de mais de um lado, precisão—e nesse caso específico—beleza e elegância, do outro), tive a minha fase de encantamento e absorção com Law & Order- SVU, ainda mais com uma Mariska Hargitay pela frente. Porém, as últimas temporadas foram de desastradas a desastrosas, o tom foi subindo, e, mesmo que eu nunca tenha perdido o interesse completo (continuo espectador assíduo) é mais porque gosto dos personagens do que por me convencer das histórias. Vez ou outra acertam, mas o erro foi ficarem entulhando a série com figuras que deveriam ser eventuais e se tornaram centrais, como a legista (Tamara Tunie) e o psiquiatra (B.D. Wong), os quais não têm o que fazer. E depois de Diane Neal, as promotoras foram uma trapalhada…

A principio, então, gostava mais discretamente da série original (houve uma que fracassou e que adorei, Law & Order-Trial by Juri). Mas quando reprisaram os episódios mais antigos, as suas primeiras temporadas, que eu não conhecia, e quando Sam Waterston atingiu o tom grandioso que marcou a última fase de seu procurador Jack McCoy, então a série se tornou para mim o máximo, a melhor de todas, insuperável.

Eu devo dizer que o último formato, com  (não há elogios suficientes) Waterston como procurador,   Linus Roache como o promotor, a lindíssima e especialíssima Alana de La Garza como assistente, e mais a veterana S. Epatha Merkerson (fantástica) como a chefe da delegacia, e a dupla Jeremy Sisto & Anthony Edwards como detetives, atingiu um ápice de qualidade que  fica difícil de manter, após 20 temporadas.

O elenco, aliás, é o grande trunfo da série, afora os roteiros tão excepcionais que deixam no chinelo a maior parte do que se produz no gênero no cinema, a ponto de ficarmos assustados quando se passa a hora e o episódio acaba. Perdi a conta de tantos episódios memoráveis vi e revi em várias temporadas, e é por isso que fiquei emocionado, com lágrimas nos olhos, vejam só, quando cheguei aos últimos momentos do episódio de ontem, que pode ter sido o derradeiro.

Além das participações especiais, os elencos diversos que se revezaram nas vinte temporadas comprovam o que eu e meu amigo Eduardo Vieira sempre comentamos: há um modo Law & Order de interpretar, que é um celeiro de atores incríveis.

A princípio, o promotor era também um grande ator, Michael Moriarty, que nunca conseguiu o destaque merecido no cinema. E o procurador era o soturnamente admirável Steven Hill, um daqueles coadjuvantes de ouro, de que o cinema americano sempre se alimentou.

Nunca vi os episódios de George Dzunda, comecei a ver os episódios em que o grande Paul Sorvino tinha como parceiro Chris Noth, capitaneados pelo sempre irretocável Dann Florek (que depois passou para Law & Order-SVU).

Mas o grande detetive da série, com certeza, e isso creio que é unânime, é Jerry Orbach, que substituiu Sorvino, e é nada mais nada menos do que um rei. Ele e Waterston são o suprassumo da série. Houve duas ótimas promotoras-assistentes de Michael Moriarty e depois Sam Waterston, Jill Hennessey (antes de ser a dr. Jordan de Crossing Jordan) e Carey Lowell,Chris Noth foi substituído pelo então muito belo (e bom ator) Benjamin Bratt, o que rendeu até uma participação ótima da sua namorada da hora, Júlia Roberts. A química da dupla Orbach-Bratt foi um dos grandes marcos do seriado.

Mesmo assim, como não destacar Jesse L. Martin, que substituiu Bratt e depois foi parceiro do substituto de Orbach, Dennis Farina (que também teve parceria com o filho da Família Soprano e ator esplêndido, Michael Imperioli), que só não ganha a coroa porque só há um rei na série entre os detetives, embora só haja um (na verdade, uma) que não funcionou, a inexpressiva Milena Govitch.

Hennessey e Lowell também não tiveram páreo em Angie Harmon, Elizabeth Rohm e mesmo na suave e elegante (sua personagem é assassinada, um fim brutal) Annie Parisse. Foi preciso chegar Alana de La Garza (que vinha de uma personagem chinfrim em CSI-Miami) para que a promotora-assistente se tornasse tão marcante, a mais marcante, creio eu.

Steven Hill foi substituído brevemente pela grande Dianne Wiest, mas confesso que ela não deixou marcas. Fred Dalton Thompson saiu-se melhor e quando Sam Waterston se tornou o procurador, aí a coisa ganhou uma dimensão shakesperiana… Afinal, chegou-se a acusar membros do governo Bush por tortura, num dos episódios mais extraordinários…

Estou desfiando nomes e mais nomes, e minha memória só vai repassando episódios, momentos que eu adorei, personagens que já fazem parte do meu cotidiano, como se fossem pessoas da minha vida…

E aquele tema musical onipresente…

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.