MONTE DE LEITURAS: blog do Alfredo Monte

07/10/2013

Nos confins da rarefação: “Elizabeth Costello”, de J.M. Coetzee

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“A pergunta a ser feita não deveria ser: temos algo em comum- razão, autoconsciência, alma- com os outros animais? (E o corolário que se segue é que, se não tivermos, estamos autorizados a tratá-los como quisermos, aprisionando-os, matando-os, desrespeitando seus cadáveres). Volto aos campos de extermínio. O horror específico dos campos, o horror que nos convence de que aquilo que aconteceu ali foi um crime contra a humanidade, não reside no fato de que a despeito de os matadores partilharem com suas vítimas a condição de humanos, eles as terem tratado como piolhos. Isso é abstrato demais. O horror está no foto de os matadores terem recusado a se imaginar no lugar de suas vítimas, assim como todo mundo. Disseram: São eles naqueles vagões de gado passando. Não disseram: Como seria para mim estar naquele vagão de gado? Disseram: Devem ser os mortos que estão sendo queimados hoje, pesteando o ar e caindo em forma de cinza em cima dos meus repolhos. Não disseram: Estou queimando, estou me transformando em cinzas.

Em outras palavras, eles fecharam seus corações. O coração é sitio de uma faculdade, a simpatia, que, às vezes, nos permite partilhar o ser do outro. A simpatia tem tudo a ver com o sujeito e pouco a ver com o objeto, o ´outro´, como percebemos de imediato quando pensamos no objeto não como um morcego (Posso partilhar o ser de um morcego?), mas como outro ser humano. Certas pessoas têm capacidade de se imaginar como outra pessoa, há pessoas que não têm essa capacidade (quando essa falta é extrema, chamamos  essas pessoas de psicopatas), e há pessoas que têm a capacidade, mas escolhem não exercê-la.”

(resenha publicada originalmente em A TRIBUNA de Santos, em 07 de julho de 2007)

Estrela maior da FLIP deste ano, o sul-africano J.M. Coetzee publicou em 2003 (ano em que ganhou o Nobel) Elizabeth Costello[1], romance que apresenta a protagonista, célebre escritora australiana, já bastante idosa, numa agenda incessante de viagens que envolvem palestras, premiações e cursos. Há até um cruzeiro, para o qual ela e outros autores foram contratados como recreação cultural.

É o lado mais ferino do livro: Elizabeth escreveu várias obras, contudo persistentemente a apresentam como a autora de A Casa da Rua Eccles, seu maior sucesso, como se só houvesse realizado isso, e o resto da sua produção fosse mera nota de rodapé. Além disso, os eventos enfocados no romance mostram Elizabeth tendo que lidar em público com temas espinhosos, ou mesmo explosivos, como o Realismo, a africanidade e o exoticismo, os direitos dos animais (sua área de ativismo, aliás, uma das mais espinhosas da má consciência da Humanidade com a sua própria crueldade), as Humanidades, o Mal… Só que o ambiente em que eles ocorrem é tão institucionalizado e atenuado que os discursos mais terríveis e lúgubres se tornam inócuos, quando muito gerando polêmica acadêmica.

Então, já temos esse lado sombrio, ainda que apresentado com extrema secura: a palavra do escritor, de quem tem algo a dizer, tornando-se irrisória, uma espécie de performance pelo ganha-pão, pela manutenção da carreira e da reputação. Uma existência-FLIP, por assim dizer.

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Há outro lado mais terrível, porém: dessa apresentação do mundanismo que cerca a carreira literária esperava-se mesmo uma visão mordaz. O que não se espera é que, ao se entrar no mundo interior, no laboratório interno do qual saem os livros de Elizabeth Costello, se encontre tanta aridez emocional, que ela já nem acredite mais no poder da palavra, nem para se defender quando supostamente morre e fica diante de instâncias superiores kafkianas e tem de verbalizar o seu credo para ingressar… em quê? Mas quais as suas credenciais? Ela se apresenta como escritora e isso parece insuficiente até mesmo para ela:

“Quando era moça, em um mundo hoje perdido e acabado, encontravam-se pessoas que ainda acreditavam na arte, ou pelo menos no artista, que tentava seguir os passos dos grandes mestres. Não importava que Deus tivesse fracassado, e o socialismo: ainda existia Dostoievski para guiar a pessoa, ou Rilke, ou Van Gogh  com a orelha enfaixada que simbolizava a paixão. Terá levado essa crença infantil para os seus anos de velhice e além: a fé no artista e em sua verdade?

Sua primeira sensação seria dizer que não. Seus livros decerto não demonstram nenhuma fé na arte. Agora que está encerrado e acabado, esse trabalho de vida inteira de escritor, ela é capaz de lançar um olhar retrospectivo bastante isento, acredita, até frio, a ponto de não se enganar. Seus livros não ensinam nada, não pregam nada; simplesmente contam com todas as letras, com a clareza possível, como viveram as pessoas em determinado tempo e lugar. Mais modestamente, dizem com todas as letras como uma pessoa vivia, uma pessoa entre bilhões: a pessoa que ela, ela para si mesma chama de ela, e que outros chamam de Elizabeth Costello. Se ela afinal acredita em seus livros, mais do que acredita nessa pessoa, essa crença só é crença no mesmo sentido em que um carpinteiro acredita em uma mesa sólida, ou um tanoeiro acredita em um barril sólido. Ela acredita que seus livros são mais bem construídos do que ela.”

No limite, não se pode viver no mundo de Elizabeth Costello. Ao mesmo tempo, e justamente por causa dessa revelação dissolvente, já não é exato afirmar (como fiz um tanto levianamente nesta coluna com relação a outros livros de J.M. Coetzee) que estamos diante de um autor médio. A alguém que nos apresenta esses confins da rarefação, por mais inóspitos que eles nos pareçam, não pode faltar um poderoso talento.

VER TAMBÉM NO BLOG:

https://armonte.wordpress.com/2012/11/16/o-autor-como-personagem-o-dostoievski-de-coetzee/

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TRECHO SELECIONADO

“Na visão ecológica, o salmão, as algas fluviais e os insetos aquáticos interagem em uma grande dança complexa com a terra e o clima. O todo é maior que a soma de suas partes. Nessa dança, cada organismo tem um papel: são esses múltiplos papéis, mais que os seres particulares que os desempenham, que participam da dança. Quanto aos intérpretes reais, na medida em que são auto-renováveis, na medida em que continuam vindo, não precisamos prestar nenhuma atenção neles.

Chamei isso de platônico e chamo de novo. Nosso olho está na criatura em si, mas nossa mente está no sistema de interações de que ela é a encarnação terrena, material.

É uma terrível ironia. Uma filosofia ecológica que nos diz para viver lado a lado com outras criaturas se justifica apelando para uma ideia, a ideia de uma ordem superior a qualquer criatura viva. Uma ideia, afinal- e esse é o caráter esmagador dessa ironia- que nenhuma criatura é capaz de entender, a não ser o Homem. Toda criatura viva luta por sua vida própria, individual, e recusa, por meio da luta, render-se à ideia de que o salmão ou o mosquito pertencem a uma ordem de importância inferior à ideia do salmão ou à ideia do mosquito. Mas quando vemos o salmão lutando por sua vida, dizemos que ele é simplesmente programado para lutar; dizemos, com Tomás de Aquino, que ele está trancado em sua escravidão natural; dizemos que não tem consciência de si.

Os animais não acreditam na ecologia. Nem os etnobiólogos pretendem isso. Nem os etnobiólogos afirmam que a formiga sacrifica sua vida para perpetuar a espécie. O que eles dizem é sutilmente diferente: a formiga morre e a função de sua morte é a perpetuação da espécie. A vida da espécie é uma força que age através do indivíduo, mas que o indivíduo é incapaz de compreender. Nesse sentido, a ideia é inata, e a formiga é governada pela ideia, da mesma forma que um computador é governado por um programa.

Nós, os gerentes da ecologia- desculpem se estou me deixando levar, me afastando muito da pergunta, mas já vou terminar-, nós, gerentes entendemos a dança maior, portanto podemos decidir quantas trutas podem ser pescadas ou quanto jaguares podem ser enjaulados sem afetar a estabilidade da dança. O único organismo sobre o qual não pretendemos ter esse direito de vida e morte é o homem. Por quê? Porque o homem é diferente. O homem entende a dança de um jeito que os outros dançarinos não são capazes de entender…

Enquanto ela falava, ele tinha deixado a cabeça divagar. Ele já ouviu isso antes, esse antiecologismo dela. Poemas de jaguar, tudo bem, mas você nunca vai ver um bando de australianos parando em volta de um carneiro, ouvindo o seu balido sem graça, escrevendo poemas a respeito. Será que não é isso que é tão suspeito nesse negócio todo de direito dos animais: ter de se ater a gorilas pensativos, jaguares sexy e pandas abraçáveis porque os verdadeiros objetos de sua preocupação, galinhas e porcos, para não falar de ratos brancos e camarões, não rendem notícias de jornal?”

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[1] No Brasil, em tradução de José Rubens Siqueira (Companhia das Letras)

16/11/2012

O autor como personagem: o Dostoiévski de Coetzee

  

VER TAMBÉM NO BLOG:

https://armonte.wordpress.com/2013/10/07/nos-confins-da-rarefacao-elizabeth-costello-de-j-m-coetzee/

Em 1869, Dostoiévski volta à Rússia por causa da morte (suicídio? acidente? assassinato?) do seu enteado, Pavel. Aluga o quarto onde ele estava vivendo e envolve-se com a proprietária, Anna, e a filha dela, Matryona. Ao tentar resgatar os papeis de Pavel que ficaram em poder da polícia, descobre o seu envolvimento (e também o de Matryona) com o ideólogo terrorista Nechaev; este, por sua vez, entra em contato com o grande escritor russo, apesar da perseguição da polícia.

Em O Mestre de São Petersburgo (The Master of Petersburg, 1994, traduzido por Luis Roberto Mendes Gonçalves, e que na edição da Best Seller ganhou o rebarbativo título de Dostoiévski, o mestre de São Petersburgo), o sul-africano J.M. Coetzee[1] parece ter almejado uma combinação da atmosfera de Crime e Castigo e a de Os Demônios, duas das principais obras de Dostoiévski. Será que ele conseguiu?

No começo, e até certa altura, parece que sim. É muito persuasiva a maneira como o quarte de Pavel e o “fantasma” do enteado vão se apossando de Dostoiévski, paralisando sua vontade de voltar para a Alemanha e reencontrar a esposa, fazendo com que ele tenha de se debater com a questão da paternidade (tão presente em seu universo, basta lembrar o exemplo mais óbvio, Os irmãos Karamázovi). E a técnica narrativa de Coetzee ajuda bastante a manter o interesse: ele parece convencido de que é impossível capturar a vida interior, o movimento subjetivo dos personagens, pelas palavras. O discurso do narrador atua, então, como uma câmera cinematográfica, mantendo um forte teor descritivo. Temos a sensação nítida de estar acompanhando a um filme em palavras, com aquela qualidade opaca da imagem, de só sugerir o que pode estar acontecendo intimamente com os personagens. Nesse passo da história, Anna, a senhoria, com o qual ló padrasto de Pavel estabelece uma tensa relação sexual, chega a lembrar certas personagens de José Saramago, como a Blimunda, de Memorial do Convento, ou a Joana Carda, de A Jangada de Pedra, mulheres do povo com uma sabedoria recôndita e crispada.

Por outro lado, embora a narrativa até se torne mais “dinâmica” com a entrada de Nechaev (o terrorista que tenta cooptar Dostoiévski, utilizando sua obsessão com Pavel), o livro perde sua força narrativa ao entrar no mundo conspiratório de burocracia policial, informantes e disfarces de terroristas. A trama de Coetzee aproxima-se sorrateiramente, como um informante, da lengalenga.

Quando, no final, a leitura da papelada deixada por Pavel se transforma numa espécie de arcabouço para Os Demônios, nem parece mais que estamos lendo o mesmo romance. Dostoiévski se perde com Nechaev pelas vielas de São Petersburgo (com o subversivo pretendendo mostrar a miséria russa para convencer seu interlocutor a colaborar com a Causa) e Coetzee perde o rumo da narrativa. O tom, pelo menos. Até mesmo Anna perde a qualidade saramaguiana que lhe dava certa magia e escorrega para a banalidade. O próprio Dostoiévski fica mais com cara de Barton Fink, emparedado num quarto que é, na verdade, uma metáfora da sua mente. Aliás, acontece com Coetzee o efeito irmãos Coen, criadores de Fink (e também de Miller´s Crossing): há muita ambição, muito estilo, só que nunca se chega a dizer a que se veio. O talento (inegável) é corroído pela gratuidade.

Encarando os 20 capítulos de O Mestre de são Petersburgo, pode-se dizer que ele segura as pontas até o capítulo 15, e, aos poucos, começa a ficar difuso, repetitivo, e encher linguiça. É uma pena porque, vindo de um país cuja base social estruturava-se num problema catalisador como o apartheid, que coloca todos em questão, Coetzee poderia ter a medida certa  para tratar desse mundo dostoievskiano, no qual o íntimo e o social entrelaçam-se, no qual um é a ampliação do outro.

Entretanto, sobram ainda as belas páginas que evocam os bons tempos do romance existencialista, como A Náusea: “Por que essa lenta caçada através dos campos vazios, atrás da impressão de um fantasma, o fantasma de uma impressão? Porque eu sou ele. Porque ele é eu. Alguma coisa que tento agarrar: o momento antes da extinção, quando o sangue ainda corre, o coração ainda bate. Coração, o boi fiel que mantém o moinho girando, que levanta apenas um olhar aturdido quando o machado se ergue alto, mas aceita o golpe, dobra os joelhos e expira.”

(resenha publicada originalmente em A TRIBUNA de Santos, em 04 de novembro de 1997)


[1] Nota de 2012; Essa foi a minha primeira leitura de um livro de Coetzee, e pouco sabia da sua produção (e prestígio). Só fui conhecer melhor seu universo alguns anos depois, já quando ele estava no estágio “Companhia das Letras”, após alguns títulos lançados pela Best Seller, entre eles o extraordinário À espera dos bárbaros.

13/05/2012

15 DESTAQUES DE 2010

(uma versão reduzida saiu em A TRIBUNA de Santos de 04 de janeiro de 2011)

É sempre  bom esclarecer que quando um crítico propõe destaques entre as publicações de um ano, ele não está propondo uma lista de melhores, o que seria risível. Quem lê tudo o que se lança num ano? E se lesse, que tipo de pessoa seria essa?  Por exemplo, saíram em 2009 e são dois dos melhores livros da década  A fantástica vida breve de Oscar Wao, de Junot Díaz, e Quando haverá boas notícias, de Kate Atkinson, e o leitor não os encontrará na minha lista do ano passado. O mesmo deverá acontecer com lançamentos de 2010, que não tive oportunidade de ler. Também não entrarão na minha lista obras que ganharam nova tradução, caso de reaparições importantíssimas, como  Walden, de Thoreau, nas mãos especialíssimas de Denise Bottmann, ou as novas versões dos romances de William Kennedy (A grande jogada de Billy Phelan & Ironweed), ou de Henderson, o rei da chuva, de Saul Bellow, ou ainda de A verdadeira vida de Sebastian Knight, de Nabokov, só para citar alguns; ou então  novas edições de autores essenciais (é o caso de dois lançamentos primorosos do ano que acabou, os Contos Completos de Lima Barreto e a edição conjunta de Diário do Hospício  & Cemitério dos Vivos).

Tendo em mente essas limitações, eis 15 lançamentos imprescindíveis do último ano (em comentários sumários e necessariamente superficialíssimos):

1)Sartoris, de William Faulkner (CosacNaify)-  Romance fundador, que em 1929 deu início à saga da decadência sulista, representada pelo mítico condado de Yoknapatawapha, um dos lugares fundamentais da ficção,  e em que a obsessão do maior escritor norte-americano pelo tempo se traduz numa narrativa  caleidoscópica fascinante.

2) Verão, de J.M. Coetzee, e Invisível, de Paul Auster (Companhia das Letras)-  Dois dos mais notáveis escritores da pós-modernidade no auge de sua maestria, em relatos que se aproximam do limite do relato tal como conhecemos.

3) Memórias Inventadas, de Manoel de Barros (Planeta)- Um poeta que se recusa a sair da infância e vet o mundo e a linguagem  com outros olhos que não sejam os da não-domesticidade, do não-conformismo. O resultado é uma poesia-brincadeira-infantil muito séria e contundente. Neste ano também, pela Leya saiu a sua Obra Completa, a qual preencheria um ano todo da vida de um leitor.

4) O arquipélago da insônia, de António Lobo Antunes (Alfaguara)- O mais lírico e pungente dos livros ciclópicos publicados pelo grande autor português nesta última década, chegando ao requinte de ter um narrador autista. Também prova cabalmente como a lição de Faulkner foi fecunda. Mas poucos o seguiram com tal radicalismo.

5)A câmara de inverno, de Anne Michaels (Companhia das Letras)- Finalmente, depois de mais de uma década,  o segundo romance da fabulosa autora canadense, que já criara um fascinante deslocamento geográfico em  Peças em fuga. Memória, esquecimento, conservação, deterioração, os opostos se atraem nessa autêntica poesia da prosa, incursão bissexta no gênero narrativo de uma poetisa consagrada.

6) Senhores e Criados e Outras Histórias, de Pierre Michon (Record)- O grande autor francês, de Vidas minúsculas, aproxima a ficção  da pintura e do relato biográfico, em três textos, pelos quais circulam figuras como Van Gogh, Goya, Watteau, Piero della Francesca ou Claude Lorrain. Michon é da estirpe de um W. G. Sebald ou de um Claudio Magris.

7) Um homem apaixonado, de Martin Walser (Planeta)-  Uma bela incursão pela alma, mente, espírito e corpo de Goethe, o qual, septuagenário, se inspira na sua paixão por uma mocinha de 19 anos para compor um de seus mais famosos poemas. É o eros da criação contra a aproximação da morte, e aí não importa tanto se a paixão biográfica foi bem sucedida ou não.

8) A morte de Matusalém, de Isaac Bashevis Singer (Companhia das Letras)- O maior contador de histórias curtas da 2ª. metade do século XX em plena forma, tanto nas incursões sobrenaturais, onde mergulha no imaginário judaico, quanto (ou sobretudo) nas soberbas narrativas realistas.

9) Hóspedes do Vento, de Chico Lopes (Nankin)- Talvez o mais talentoso contista  brasileiro surgido nesta década, em sua terceira e mais equilibrada coletânea, após os talentosos Nó de sombras & Dobras da noite.

10) Sabres e utopias, de Mario Vargas Llosa (Objetiva)-  Uma chance de conhecer o pensamento político do incontornável vencedor do Nobel de 2010, sem que necessariamente tenha de se concordar com ele.

11) A questão dos livros, de Robert Darnton (Companhia das Letras)- magnífica reunião de ensaios  do historiador norte-americano onde ele discute o passado, o presente e o futuro do livro e do conhecimento enciclopédico.

12) Doutor Pasavento, de Enrique Vila-Matas (CosacNaify)- Quanto mais vou conhecendo a obra de Vila-Matas, mais vou achando que ele é um dos grandes nomes da literatura atual. Este talvez seja o seu livro mais ambicioso.

Hors concours: 2666, de Roberto Bolaño (Companhia das Letras) & Os embaixadores, de Henry James (CosacNaify)- O que teria em comum um romance escrito por um Chileno e que transcorre num México microcosmo da nossa época, e um romance  em que James nos mostra o problema do cosmopolitismo, a problemática convivência entre americanos e europeus? Simplesmente são os romances mais ambiciosos escritos na década inicial do século, no caso de Bolaño, o nosso próprio século, e no caso de James, o século passado, e que parecem esgotar as formas narrativas em curso.

Feliz 2011 e um monte de leituras para todos.

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