MONTE DE LEITURAS: blog do Alfredo Monte

07/05/2010

VAMPIROS E HIGH SCHOOL, DRÁCULA E ZACH EFRON

 

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Ontem assisti ao primeiro episódio de Vampire Diaries (Warner, 5as.feiras, 21 h) e foi o esperado em série capitaneada por Kevin Williamson: na linha de Dawson´s Creek  e de várias temporadas da não-williamsoniana na produção, porém bem parecida  na proposta, Smalville, temos esses jovens velhos, essas mensagenzinhas caretinhas (a irmã vai atrás do irmão viciado no banheiro dos homens para conferir se ele está “chapado” e lhe passar um sermão).  Tivemos o cemitério de praxe do livro, a floresta onde jovens incautas penetram à noite, a ausência dos adultos, a melhor amiga da heroína branca (agora, sempre uma negra), que são figuras de fundo geralmente chatas e empatadoras…

Fell´s Church do livro se transformou em Mystic Falls. Achei bem inteligente nos pouparem do ridículo de fazer com que Stefan e Damon fossem oriundos da Florença Renascentista. Não, aqui eles são da época colonial dos EUA, e talvez a guerra de secessão substitua a Renascença, o que é uma perspectiva muito mais convincente. Eles também não perderam tempo em tentar fazer com que a aparência dos vampiros fosse muito marcada: são dois mauricinhos e pronto (Stefan agora mora com um suposto “tio” e não mais numa pensão, como no livro).

O que estraga é que os dois atores são de lascar: em meio a todos os bonitinhos insípidos, escolheram justamente um ápice de insipidez: Paul Wesley, que é literalmente um “cara de nada”. Triste, preocupado, apaixonado, apavorado, em luta, em repouso, ele mantém, impávido, a mesmíssima cara de nada. Chega a ser cômico que as jovenzinhas do lugar se digladiem por ele, tanto que nem insistiram muito nesse aspecto (bem acentuado no livro). Quanto a Ian Somerhalder, quando ele apareceu em alguns episódios de Smalville, sem se destacar exatamente pelo talento, chamou atenção pela sua beleza, digamos “pura”, irretocável. Depois, ele participou da primeira temporada de Lost e de lá para cá o que aconteceu? Acho que não vão cair no ridículo de colocá-lo como jovem de ensino médio (não é a linha de Damon), como aconteceu com o Duda Nagle, em Caminho das Índias. Só que ele está com cara de plástico, parece embotocado, ou maquiado demais, comprometendo toda a sua beleza, ou seja, sua maior qualidade, já que no quesito carisma, personalidade ou talento…

Apesar do escândalo que é a cara sambada do elenco (Paul Wesley interpretar um jovem no ensino médio é uma piada, e não só ele; pelo menos poderiam adaptar a trama para alguma universidade provinciana), gostei da heroína Nina Dobrey, que no meio da insipidez geral, da inexistência de Wesley e da canastrice de Somerhalder, conseguiu o tom exato de sua Elena. Não sei o que vai ser da série, se ela vai vingar,ou o que vai ser da carreira de Nina Dobreý. Só sei que ela é a  melhor coisa de Vampires Diaries até agora. Ou a única coisa.

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O DESPERTAR, GENÉRICO DE CREPÚSCULO?

De quando em quando, os vampiros ressurgem dos seus túmulos e assolam a indústria cultural, abocanhando um suculento lucro. O tremendo sucesso dos romances de Stephenie Meyer (Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse, Amanhecer), agora prolongado no cinema, é certamente o marco da nova aparição daquelas figuras que nunca morrem. E dia 22, quinta-feira, estréia na Warner, o seriado Vampire Diaries, baseado em outra série de sucesso.

Confesso que não consegui encarar a empreitada de ler Meyer (só Crepúsculo tem 416 páginas, na edição brasileira), contentando-me com seu genérico: O Despertar, primeiro volume de Diários do Vampiro, tem apenas 236 páginas. Curiosamente, embora pareça vir na esteira do sucesso da rival, a série de L.J. Smith é muito anterior. Os livros iniciais foram lançados em 1991. Mas ainda que apresentassem alguma inovação impactante (não apresentam), Smith nunca mais vai poder se livrar da sombra de Meyer.

O único detalhe que diferencia O Despertar das histórias similares é que seus vampiros sobrevivem ao amanhecer e à luz solar, desde que usem um amuleto protetor, de tal forma que um deles pode freqüentar a escola e se tornar um elemento importante no time local.  Os irmãos Stefan e Damon (um, bonzinho; o outro, malvado) foram transformados no século XV, em Florença, pela menina que os dois amavam e que acirrara a rivalidade entre ambos. Reaparecem em Fell´s Church, na Virginia, como pretendentes de outra garota, Elena, a qual se parece com  a primeira amada. Original, não?  E, como já se convencionou, a figura dos vampiros  é sempre a de um dândi, cavalheiresco e meio lânguido (Damon  é perverso, mas charmoso e atraente).

É claro que com toda a vivência de séculos dos dois vampiros, e ainda mais tendo vivido na Renascença, eles acham o máximo encanto da vida e da existência se enterrar em cidadezinhas provincianas dos EUA, e viver toda a magia única da vida do ensino médio, com sua obsessão pela popularidade, pela identificação dos “perdedores”, pelos bailes de formatura, pela rainha da festa, e toda aquela avalanche de estereótipos e figuras carimbadas que já vimos em milhares de filmes. O curioso é que Smith tenta nos mostrar que os estudantes que estão no topo da popularidade, os belos, os atléticos, são o equivalente da nobreza de outros tempos.

As jovens do livro acreditam no “amor eterno”, quando encontrarem o “cara certo”, vão ao cemitério (que estão sempre abertos a qualquer hora) para conversar com  os pais mortos (a protagonista inevitavelmente tem um histórico de tragédia familiar, já notaram?), sempre têm pressentimentos certeiros e  conseguem conciliar todas essas emoções avassaladoras e experiências aterrorizantes (presença de vampiros, sepulcros abertos, assassinatos, etc) com trabalhos escolares, futricas e rivalidades comezinhas. Vampiros com séculos de experiências são abalados pela força de personalidade de jovenzinhas provincianas.

Por falar em experiência, só alguém muito jovem pode ler um livro desses e levá-lo minimamente a sério, até como fabulação. Não há nenhum momento em que O Despertar não seja absolutamente previsível: Elena vê um corvo meio ameaçador, e, é claro, descobre no final que se tratava de Damon., o irmão mau. Há um baile de Halloween e qualquer um percebe que um antipático professor de história, com o qual Stefan teve um entrevero, e que está fazendo o papel de uma vítima sacrificial druida, será realmente morto –por Damon—e que herói levará a culpa; há até aquele momento em que, ainda não sabendo que Stefan a ama, e sentindo-se desprezada por ele, Elena vai a um lugar ermo com um boçal da escola e  é quase surrada e estuprada e… é salva por Stefan.

Smith nos dá a era high school da temática vampiresca (não à toa, o criador da série televisiva é Kevin Williamson, de Dawson´s Creek, aquele seriado com jovens que pareciam velhos, jovens com corações,mentes e almas já senis). Enfim, é o mundo reduzido à visão adolescente. Só falta a aparição do Zach Efron e a trilha sonora do Jonas Brothers. Não há nada de errado em alguém se iniciar na leitura através dessa série de L.J. Smith. Mas qualquer pessoa com mais de 16 anos que se encantar com essa história levantará as mais sérias suspeitas…

(resenha publicada  originalmente em A TRIBUNA de Santos, em 20 de outubro de 2009)

INTRODUÇÃO (18.10.09)

Na época da minha adolescência (estou falando aqui do final dos anos 70), após alguns anos de ostracismo, a figura do vampiro voltava: foi a  época dos antípodas Drácula, de John Badham, e Nosferatu, de Werner Herzog. Este, um belo filme; aquele, uma breguice (embora fosse uma produção “A”, que resgatava Drácula das sub-produções da Hammer inglesa, o filme envelheceu bastante) que trazia Frank Langella posando de vampiro-galã, numa composição que parece hoje meio cômica ou, no mínimo, equívoca, apesar de que o objetivo, na época, era deixar explícito o conteúdo erótico das investidas do vampiro e que as donzelas mordíveis e mordidas no fundo ansiavam por aquilo. Já o vampiro de Herzog era mais na linha da figura patética, quase de dar pena, com sua aparência verdadeiramente de morto-vivo (uma genial encarnação de Klaus Kinski), que Murnau imprimira à tradição pós-Bram Stoker.

A partir daí, volta e meia surgem ondas vampirescas, algumas avassaladoras (como a série de Anne Rice, uma gay fantasy, que fez sucesso também em filme. Gosto muito do livro Entrevista com o Vampiro e o filme é bom, mas o resto da série me deixa impaciente; o Drácula de Coppola, que uniu com rara felicidade, o conteúdo erótico, o patético, e o aterrorizante, com ênfase nos três, o que o torna a mais ampla abordagem do tema; os vampiros  de John Carpenter. uma sacada genial); algumas nem deixando marola (como a série–primeiro no cinema e depois na tevê–Blade. Só não posso deixar de dizer que Anjos da Noite, que está nesse sub-patamar, pelo menos tem a mais bela das vampiras: Kate Beckinsale, a qual teve, aliás, uma overdose  do sub-gênero, pois participou também do péssimo Van Helsing).

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Hoje novamente estamos em pleno vampirismo. Nos últimos anos, alguns seriados também abraçaram o tema: tivemos, entre outros, Blood Ties (exibido pelos canais AXN e Animax), com um vampiro-dândi, Henry Fitzroy, filho de Henrique VIII, vejam só, e que era companheiro de investigações sobrenaturais da detetive Vickie Nelson. Baseado em livros de Tanya Huff, o seriado tinha como atrativo a deliciosamente sedutora, fugindo de qualquer modismo de sensualidade, Christina Cox, uma das mulheres mais atraentes já vistas em qualquer série, capaz de ser gostosa utilizando comportado coque, cabelo preso e óculos. Tanto que quando vi um episódio pela primeira vez, não botando muita fé, não consegui desgrudar os olhos, não pela trama, pelos personagens (que até não são dos piores), mas pelo incrível magnetismo e pela presença de La Cox.

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O ousado e afrontoso True Blood talvez seja a mais original, ou pelo menos, a mais alternativa entre as releituras do vampirismo no cenário atual. E tem o correspondente masculino de Christina Cox no sentido de explosão de sensualidade e talento: Ryan Kwanten, o desajustado  irmão de Anna Paquin, a protagonista. Que diferença dos aguados Zach Efron e Robert Pattinson, que são bonitos, mas parecem virtuais, bonequinhos de bolo de noiva.

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