MONTE DE LEITURAS: blog do Alfredo Monte

25/10/2015

Fruto proibido no paraíso dos livros: “O nome da rosa”

umbertoeco_800_800O-Nome-da-Rosa-de-Umberto-Eco

(resenha publicada originalmente em A TRIBUNA de Santos, em 01 de julho de 2006)

«Percebia agora que não raro os livros falam de livros, ou seja, é como se falassem entre si. À luz dessa reflexão, a biblioteca pareceu-me ainda mais inquietante. Era então o lugar de um longo e secular sussurro, de um diálogo imperceptível entre pergaminho e pergaminho, uma coisa viva, um receptáculo de forças não domáveis por uma mente humana… »

Comemorando 40 anos, a Nova Fronteira decidiu lançar edições especiais de 40 dos seus títulos mais marcantes, entre eles O Nome da Rosa[1]. Editora e romance foram muito importantes na minha história pessoal, e achei auspiciosa a ideia de relê-lo numa nova roupagem, com um formato quase de bolso (se for possível existir um livro de bolso de quase 600 páginas) e paginação atraente.

Só que o livro parece ter sido revisado pelo seu grande vilão cego, inspirado em Jorge Luis Borges, acometido por uma mortífera seriedade, inimigo do riso e que deve ter planejado destruir o prazer da leitura com a incrível quantidade de erros, palavras trocadas, esdrúxula separação silábica (ol-ho, por exemplo), troca de tempos verbais, frases afirmativas que se tornam negativas ou vice-versa, e até a supressão de várias linhas em duas páginas,  a 98 e a 367, deformando a obra-prima de Umberto Eco num palimpsesto tão bizarro quanto alguns volumes adormecidos na biblioteca da abadia onde a história transcorre durante sete dias, em novembro de 1327. E no final do volume surgem uma preparadora de originais e cinco revisores! O Venerável e perverso Jorge de Burgos devia ter dado cabo de todos! Dificilmente aparecerá uma edição mais imprestável, um desserviço mais flagrante a um livro desse quilate. A Nova Fronteira sequer teve o cuidado de revisar a tradução.

Casando erudição e fabulação, numa alquimia nunca antes ou depois alcançada com tal felicidade, Eco nos apresenta uma dupla inesquecível, o narrador beneditino (já velho, relembrando quando ainda era noviço e lolito),  Adso de Melk, e seu mestre franciscano, Guilherme de  Baskerville, o qual é encarregado pelo Abade de investigar as mortes que começam a ocorrer na semana da sua chegada, todas ligadas à biblioteca, que é inacessível, encerrada num labirinto. Baskerville, admiravelmente encarnado por Sean Connery na (a)versão cinematográfica (ele só não salvava o filme porque era muito discutível mesmo) e que só pode ser considerado mero decalque de Sherlock Holmes por leitores incautos, por ser um “inglês louco e arrogante”, segundo seu amigo, o exaltado místico Ubertino, define bem seu modo de pensar na seguinte passagem: «encontro o deleite mais jubiloso em desenredar uma bela e intrincada intriga. E será ainda porque no momento em que, como filósofo, duvido que o muno tenha uma ordem, consola-me descobrir, se não uma ordem, pelo menos uma série de conexões em pequenas porções dos negócios do mundo».

Além da “bela e intrincada intriga” ligada à biblioteca, que por si só faria de O Nome da Rosa um dos melhores romances policiais já escritos, há ainda o encontro entre emissários papais e os líderes da ordem franciscana ligados ao imperador Ludovico, em guerra com o papa João XXII, motivo da visita de Baskerville e Adso à Abadia, e cujo objetivo é discutir a pobreza de Cristo e seus apóstolos (na verdade, como observa o mestre de Adso a seu discípulo, a questão mesmo é decidir se a igreja deve ser pobre e, mais ainda, se deve abdicar de sua intervenção no mundo secular, no qual as cidades e o capitalismo moderno começam  a despontar—ideia perigosa de ser defendida num momento em que a Inquisição dá o tom). Assim como o labirinto (não o espacial) tecido em torno da biblioteca nos proporciona grandes personagens, como o cego Jorge, o impenetrável bibliotecário Malaquias, o curioso e ambicioso Bêncio e o herborista Severino, o enredo paralelo do debate teológico (com as idéias preconceituosas e intolerantes em relação ao movimentos populares –os quais, por sua vez, abusam da violência e do vandalismo—pque são sempre retomadas sem reflexão ou senso histórico, veja-se como a imprensa retrata o MST,  por exemplo) colabora com outro tanto: o sinistro inquisidor Bernardo Gui, Ubertino, o despenseiro que na juventude participou de um movimento herético e que é tomado como o assassino, o babélico (no modo de expressar) e quasímodesco (na aparência) Salvatore.

Borges dizia que o paraíso devia ser algo parecido com uma biblioteca. O Nome da Rosa nos mostra que em todos os paraísos existe o fruto proibido.

VER também no blog:

https://armonte.wordpress.com/2011/04/17/guglielmo-guilherme-william-os-trinta-anos-de-o-nome-da-rosa/

nom

NOTAS

[1] Il nome della Rosa (Itália-1980). Tradução de Aurora Fornoni Bernardini & Homero Freitas de Andrade.

1147808142

nome da rosa.1jpg

17/04/2011

GUGLIELMO, GUILHERME, WILLIAM: os trinta anos de O NOME DA ROSA

(resenha publicada de forma mais condensada em A TRIBUNA de Santos, em 28 de dezembro de 2010)

De vez em quando surge um livro que se torna fundamental (além de   sua qualidade) por satisfazer anseios de que os leitores talvez nem tivessem consciência. Um grande exemplo é O nome da rosa [Il nome della rosa]. Lançado em 1980 (no Brasil, foi traduzido em 1983 pela Nova Fronteira, que vivia então um grande momento), fez com que descobríssemos,  maravilhados, que não havia dicotomia entre o prazer da leitura e a exigência literária, que ninguém precisava se envergonhar de amar a fabulação narrativa, que isso não nos tornava escravos da indústria dos best sellers e da facilidade, que podia haver fruição de uma narrativa bem-arquitetada sem culpa, de que era possível ainda se escrever no sentido do folhetim: um livro a se devorar, absorvente do começo ao fim, ainda que fosse um  truque de prestidigitação, escondendo questões menos palatáveis e acessíveis ao gosto popular.

Os anos só confirmaram essa miraculosa alquimia conseguida por Umberto Eco: eu mesmo já li cinco vezes O nome da rosa (a última delas, há poucos dias,  aproveitando seu relançamento recente pela Record, a qual, com um mínimo trabalho de revisão, utiliza a tradução da Nova Fronteira, realizada por Aurora Fornoni Bernardini & Homero Freitas de Andrade; o detalhe mais notável é terem modificado o”despenseiro” Remigio para “celeireiro”) e, após tê-lo devorado da primeira vez pela sua história engenhosa e bem urdida, nunca deixo de encontrar coisas novas e surpreendentes em sua tessitura textual (sei por exemplo,agora, apesar de Eco alertar para o perigo de se abandonar o livro nas primeiras 100 páginas, que elas não são problema para o leitor comum, e sim o terceiro dia, o mais árduo em termos de leitura “comum”, pois praticamente nada acontece e ficamos mais no esclarecimento das seitas heréticas do século XIV; e no entanto mesmo isso é uma armadilha do grande escritor italiano, já que é neste terceiro dia que ocorre o encontro amoroso-sexual de Adso com a moça sem nome), e sempre sou atraído de novo para ele devido ao seu carisma e qualidade de romance único (e olhe que não faltaram imitações).Pode-se dizer que, em certo sentido, é  “o” livro da nossa época.

Em qualquer nível de leitura, o que nos mobiliza é a inesquecível dupla central: o narrador beneditino (já velho, tomado por um sentimento apocalíptico de “fim de mundo”,  aliás utilizando todos os clichês do tempo a respeito, relembrando seu tempo de  noviço), Adso de Melk, e seu mestre franciscano (e que seria um Sherlock Holmes, se no fundo não fosse uma paródia do método sherlockiano [1]), Guilherme (no original, Guglielmo; e na imperdoável versão cinematográfica, numa incrível interpretação de Sean Connery, William) de Baskerville, em suas aventuras durante sete dias, em 1327, numa abadia italiana, onde ocorre uma série de crimes enquanto se dá um encontro entre uma legação papal (chefiada por inquisidores) e membros de ordens mendicantes (consideradas heréticas) ligados ao imperador Ludovico (que se opõe a João XXII) para discutir se Cristo e seus apóstolos eram ou não pobres; na verdade, como observa Guilherme,  a questão mesmo é decidir se a igreja deve ser pobre, num momento em que ela se define pela corrupção e pela pompa desmoralizadora, e, mais ainda, se deve abdicar de sua intervenção no mundo secular, assunto que nunca saiu de moda, como vimos nas últimas eleições. Como pano de fundo, a idéia das seitas heréticas como “um mundo de ponta cabeça”, uma realidade que se quer monolítica virada ao avesso[2].

A abadia é famosa por sua biblioteca, cujo acesso é proibido. Ao tentar penetrá-la, Guilherme e Adso descobrem um labirinto. Monges morrem por causa de um manuscrito  envenenado (em todos os sentidos), cuja aquisição remonta à história secreta da sucessão dos bibliotecários do lugar.

O mistério e sua investigação nos colocam diante de uma visão abissal (porque roça a questão do poder e da autoridade) da ordem e da desordem: a cristandade (da maneira como se configurou), as ricas abadias, o labirinto, o conhecimento livresco, o romance policial clássico, tudo isso tenta promover um ideal de ordem no mundo (muitas vezes, aliás, tentando mantê-lo estático e imutável, como o conhecimento trancado na biblioteca labiríntica), enquanto os acontecimentos parecem indicar que a desordem e o caos são, no fundo, inerentes á vida: “Encontro o deleite mais jubiloso em desenredar uma bela intriga e intrincada intriga… como filósofo,  duvido que o mundo tenha uma ordem, consola-me descobrir, se não uma ordem, pelo menos uma série de conexões  em pequenas porções dos negócios do mundo”.[3]

A ordem monolítica virada do avesso vai transtornar até os sonhos de Adso como jovem em formação que está aprendendo a “ler” o mundo, como vemos na deliciosa passagem abaixo, com sua sibilina referência a Freud e ao desconstrucionismo advindo dele:

“__ Tu vivestes nestes dias, meu pobre rapaz, uma série de acontecimentos em que toda regra justa parece ter sido desfeita. E de manhã reaflorou em tua mente adormecida a lembrança de uma espécie de comédia em que, seja mesmo talvez com outras intenções, o mundo virou de cabeça para baixo… para reviver um grande carnaval em que tudo parece andar pelo lado errado e, todavia… cada um faz exatamente aquilo que faz na vida. E no fim te perguntaste, no sonho, qual é o mundo errado, e o que quer dizer andar de cabeça para baixo. Teu sonho não sabia mais o que era o alto e onde o baixo, onde a morte e onde a vida. Teu sonho duvidou dos ensinamentos que recebeste.

__ Mas então os sonhos não são mensagens divinas, são devaneios diabólicos, e não contêm verdade alguma?

__ Não sei, Adso, disse Guilherme. Já temos tantas verdades nas mãos que no dia em que aparecesse também alguém pretendendo tirar uma verdade de nossos sonhos, então estariam realmente próximos os tempos do Anticristo…”

“__ Tu hai vissuto in questi giorni, mio povero ragazzo, una serie di avvenimenti in cui ogni retta regola sembra essersi sciolta.  E stamane è riaffiorato alla tua mente addormentata il ricordo di uma specie di commedia in cui, sia purê forse con altri intenti, il mondo si poneva a testa in giù… un gran carnevale in cui tutto sembra andare per il verso sbagliato, e tuttavia… ciascuno fa quello che ha veramento fatto nella vita. E alla fine ti sei chiesto, nel sogno, quale sia il mondo sbagliato, e cosa voglia dire procedere a testa in giù. Il tuo sogno non sapeva più dove fosse l´alto e dove il basso, dove la morte e dove la vita. Il tuo sogno ha dubiato degli insegnamenti che hai ricevuto.

__ Ma allor i sogni non sono messaggi divini, sono vaneggiamenti diabolici, e non contengono nessuna verità!

__ Non lo so, Adso- disse Guglielmo. Abbiamo già tante verità nelle mani che il giorno che arrivasse anche qualcuno a pretender di cavare una verità dai nostri sogni, allora sarebbero davvero prossimi i tempi dell`Anticristo…”

Esses elementos todos se combinam numa cosmologia borgiana, onde uma biblioteca, quem diria, contém aventuras e perigos que colocam no chinelo qualquer Indiana Jones. Se “o paraíso deve ser algo bem parecido com uma biblioteca” (Borges), também aí pode haver a Queda. Nem todas as árvores do conhecimento podem ser tocadas. Sob o risco de o homem, abandonado por Deus, ter de pensar por si mesmo:

“__ Mas quem tinha razão, quem tem razão, quem errou? –perguntei perdido.

__ Todos tinham a sua razão, todos erraram.

__ E o senhor, gritei num ímpeto de rebelião, por que não toma posição, por que não me diz onde está a verdade?”

Guilherme permaneceu um tempo em silêncio, levantando em direção à luz  a lente na qual estava trabalhando. Depois abaixou-a sobre a mesa e me mostrou, através da lente, um instrumento de trabalho: Olha, disse-me, o que estás vendo?

__ O instrumento, um pouco maior.

__ É isso, o máximo que se pode fazer é olhar melhor.”

“__Ma chi aveva ragione, chi ha ragione, chi ha sbagliato?-domandei smarrito.

__ Tutti avevano la loro ragione, tutti hanno sbagliato.

__ Ma voi,  gridai quasi in un ímpeto di rebellione, perché non prendere posiozine, perché non mi dire dove sta la veritá?

Guglielmo stette alquanto in silenzio, sollevando verso la luce la lente Allá quale stava lavorando. Poi la abbassò sul tavolo e mi mostro, attraverso la lente, un ferro da lavoro: Guarda, mi disse, cosa vedi?

__Il  ferro, un poco più grande.

__Ecco, il massimo che si può fare è guardare meglio.”


[1] “Diante de alguns fatos inexplicáveis deves tentar imaginar muitas leis gerais, em que não vês ainda a conexão com os fatos de que estás te ocupando; e de repente, na conexão imprevista de um resultado, um caso e uma lei, esboça-se um raciocínio que te parece mais convincente do que os outros. Experimentas aplicá-lo em todos os casos similares, usá-lo para daí obter previsões, e descobres que adivinhaste. Mas até o fim não ficarás nunca sabendo quais predicados introduzir no teu raciocínio e quais deixar de fora. E assim faço eu agora. Alinho muitos elementos desconexos e imagino as hipóteses. Mas preciso imaginar muitas delas, e numerosas delas são tão absurdas que me envergonharia de contá-las. Vê, no caso do cavalo Brunello, quando vi as pegadas, eu imaginei muitas hipóteses complementares e contraditórias… Eu não sabia qual era a hipótese correta até que vi o despenseiro e os servos que procuravam ansiosamente. Então compreendi que a hipótese de Brunello era a única boa, e tentei provar se era verdadeira, apostrofando os monges como fiz. Venci, mas também poderia ter perdido. Os outros consideraram-me sábio porque venci, mas não conheciam os muitos casos em que fui tolo porque perdi, e não sabiam que poucos segundos antes de vencer, eu não estava certo de não ter perdido…”

“Di fronte ad alcuni fatti inspiegabili tu devi provare a immaginare molte leggi generali, di cui non vedi ancora la connessione coi fatti di cui ti occupi: e di colpo, nella connessione improvisa di un resultato, un caso e una legge, ti si profila un ragionamento che ti pare più convincente degli altri. Provi ad applicarlo a tutti i casi simili, a usarlo per trarne previsioni, e scopri che avevi indovinato. Ma sino alla fine non saprai mai quali predicati introdutre nel tuo ragionamento e quali lasciat cadere. E cosi faccio ora io. Allineo tanti elementi sconessi e fingo delle ipotesi. Ma ne devo fingire molte, e numerose sono quelle cosi assurde che mi vergognerei di dirtele. Vedi, nel caso dell cavalo Brunello, quando vidi le tracce, io finsi molte  ipotesi complementari e contraddittore… Allora capii che l´ipotesi di Brunello era la sola buona, e cercai di provare se fosse vera, apostrofando i monaci come feci. Vinsi, ma avrei anche potuto perdere. Gli altri mi hanno creduto saggio perché ho vinto, ma non  conoscevano i molti casi in cui sono stato stolto perché ho perso, e non  sapevano che pochi secondi prima di vencere io non erro sicuro che non avessi perduto…”

[2] O que diz Remigio, o despenseiro (ou celeireiro)sobre sua juventude “herética”, como assecla de Frei Dulcino:

“Dulcino representava a rebelião, e a destruição dos senhores… Foi, não sei como dizer, uma festa dos loucos, um grande carnaval… respirávamos um ar… posso dizer  de liberdade? Não sabia antes o que era a liberdade, os pregadores nos diziam: A verdade vos tornará livres. Sentíamo-nos livres, pensávamos que era a verdade. Pensávamos que tudo aquilo que professávamos era justo.”

“Dolcino rappresentava la ribellione, e la distruzione dei signore… È stata… non so come dire, una festa dei folli, un bel carnevale… respiravamo un´aria…posso dire di libertà? Non sapevo prima cosa fosse la libertà, i predicatori ci dicevano: La verità vi farà liberi. Ci sentivamo liberi, pensavamo che fosse la verità.  Pensavamo che tutto quello che facevamo fosse giusto…”

Ou, em outro sentido, a inversão e perversão do papel de uma biblioteca, tal como praticada na abadia:

“__ Não poderia, lendo Alberto, saber o que poderia ter dito Tomás? Ou lendo Tomás, saber o que tinha dito Averroes?

Percebia agora que não raro os livros falam de livros, ou seja, é como se falassem entre si. À luz dessa reflexão, a biblioteca pareceu-me ainda mais inquietante. Era então o lugar de um longo e secular sussurro, de um diálogo imperceptível entre pergaminho e pergaminho, uma coisa viva, um receptáculo de forças não domáveis por uma mente humana, tesouro de segredos emanados de muitas mentes, e sobrevividos à morte daqueles que os produziram, ou os tinham utilizado.

__ Mas então, eu disse, de que serve esconder os livros, se pelos livros se pode chegar aos ocultos?

__ No decorrer dos séculos não serve para nada. No arco dos anos e dos dias  serve para alguma coisa. Vê como nos encontramos de fato perdidos.

__ E então uma biblioteca não é um instrumento para divulgar a verdade, mas para retardar sua aparição?-perguntei estupefato.

__ Não sempre e não necessariamente. Neste caso é.”

“__ Non potresti, leggendo Alberto, sapere cosa avrebbe potuto dire Tommaso? O leggendo Tommaso sapere cosa avesse detto Averroè?

Ora mi avvedevo che non di rado i libri parlano  di libri, ovvero è come si parlassero fra loro.  Alla luce  di questa riflessione, la biblioteca  mi parve ancora più inquietante.  Era dunque il luogo di un lungo e secolare  sussurro,  di un dialogo impercettibile  tra pergamena e pergamena, una cosa viva, un ricettacolo  di potenze non dominabili da una mente umana, tesoro di segreti emanati  da tante menti,  e sopravvissuti alla morte  di coloro che li avevano prodotti, o se ne erano fatti tramite.

__ Ma  allora, dissi, a che serve nascondere i libri, se dai libri palesi si può risalire a quelli occulti?

__ Sull´arco dei secoli non serve a nulla. Sull´arco degli anni e dei giorni serve a qualcosa. Vedi infatti come noi ci troviamo smarriti.

__ E quindi una biblioteca  non è uno strumento per distribuire la verità, ma per  ritardarne l`apparizione?- chiesi stupiro.

__ Non sempre e non necessariamente. In questo caso lo è.”

[3] “O máximo de confusão somado ao máximo de ordem: parece-me um cálculo sublime. Os construtores da biblioteca eram grande mestres.”

“Il massimo di confusione raggiunto con il massimo di ordine: mi pare un calcolo sublime. I costruttori della biblioteca erano dei gran maestri.”

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.