MONTE DE LEITURAS: blog do Alfredo Monte

01/04/2014

“Reflexos do Baile” e a peça elisabetana da ditadura pós-1964

Um homem chamado Calladoimagem

“Essas autoridades que vivem lhe pedindo que solte subversivo por causa do tal clamor da imprensa o senhor pode ficar sabendo que gostam é do gosto do cururu que traçam. Lambem o beiço. Veado que aprecia porrada de fancho não tem médico que cura ele não. Nada disso tem nada que ver com o chefe não, que é farinha de outro saco e de moenda antiga, meu chapa de ouro, do peito. Só quero lhe percatar que solte um magote desses vagabundos assim duma vez sem mais nem menos e antes que a gente decifrou aquela merda basca isso eu acho que é dose pra leão. O jeito é o sobreaviso de só soltar uns fichinhas se é que o chefe vai mesmo dar a entrevista coletiva na tevê. Tem o tal do jardineiro Válter, tão merdinha no movimento que nunca passou de Válter mesmo, não tinha nem codinome…” (de Reflexos do Baile)

(a resenha abaixo, publicada em A TRIBUNA de Santos, em primeiro de abril de 2014, é uma versão da resenha ali publicada em 29 de maio de 2002)

Com o golpe de 64 completando 50 anos, é normal que alguns leitores se interessem por obras literárias representativas daquele período. Um dos autores que então mais se destacaram foi Antônio Callado (1917-1997), cuja produção romanesca viveu uma fase extremamente ambiciosa: foram os anos de Quarup (1967), Bar Don Juan (1971), Reflexos do Baile (1977) e Sempreviva (1981). Pena que seja tarefa árdua encontrar tais títulos (bem como outros de igual significação “histórica”, como A Festa, de Ivan Ângelo, por exemplo) nas livrarias; talvez porque, entre os 50 tons de cinza do mercado editorial, os anos de chumbo não sejam muito atrativos, uma vez que trazem em suas dobras mais complexas o ovo da serpente, o mal estar de revelar os aspectos ainda muito mal resolvidos na sociedade brasileira.

Com relação ao conjunto da obra de Callado, o melhor desses romances continua sendo Reflexos do Baile, apesar do fôlego de Quarup. Não há narração direta: são cartas, comunicações pessoais, bilhetes, trechos de diário e ofícios, muitas vezes de personagens alienados da situação principal, como Doris Devon, embaixatriz inglesa, a qual, após o “acontecido”, escreve para uma amiga o seguinte desabafo: “É como se uma sanguinolenta peça elisabetana, cheia de ira, de paixão e subitamente transformada em verdade me sugasse palco adentro, eu me debatendo em vão para voltar à poltrona que ocupava”.

Qual foi, exatamente, o “acontecido”? Juliana é filha de um ex-embaixador brasileiro, Rufino Mascarenhas, obcecado pela aristocracia, um daqueles intelectuais “de estirpe” que na história do país se lançaram à carreira diplomática e sempre estiveram do lado do poder, seja para que lado do espectro político ele tendesse. Conhecemos vários deles, alguns até ainda foram, ou são, senadores, e foram eleitos para a Academia Brasileira de Letras (à qual, lamento informar, Callado também pertenceu, mas ninguém é perfeito).

Juliana também milita clandestinamente numa célula revolucionária que planeja sequestrar a rainha da Inglaterra num baile, durante um apagão coordenado não pela incompetência de operadoras, mas pelo seu amante, o capitão Roberto. Este, no entanto, é desmascarado e morto antes da efetivação do plano e o grupo, mesmo assim, resolve ir adiante, aproveitando a residência do pai de Juliana (em viagem) como esconderijo.

Não conseguem a rainha, têm de se contentar com o embaixador norte-americano. Pior ainda: Rufino volta antes do prazo —uma sequência particularmente grotesca, pois ao ver sua casa cheia de revolucionários, ele (que sofre de prisão de ventre) tem um ataque de diarreia interminável. E como era de se esperar, o plano não dá certo. Quem não morre é torturado. Rufino enlouquece e passa a falar somente em inglês, tanto que algumas autoridades pensam até em “repatriá-lo” para a Inglaterra. Ou seja, sua vida se transforma mesmo numa peça elisabetana cheia de ira e paixão, e ele não nunca logra retornar à poltrona de espectador.

O leitor conhece o “acontecido” de forma truncada, fragmentária (recurso ficcional muito pertinente e eficaz num momento em que imperavam a censura, o arbítrio, e que marca outros textos clássicos daquela década, como Zero, de Ignácio de Loyola Brandão, ou o já referido A Festa—é bom lembrar que era um momento onde o experimentalismo e as revoluções da forma literária estavam em alta); e de cambulhada, com ninharias, picuinhas, preocupaçõezinhas e miseriazinhas pessoais.

Essa técnica permite o exercício do humor negro (com o qual Callado se liberta da tendência ao texto afetado e pernóstico, que compromete gravemente Quarup e Sempreviva, impedindo, a meu ver, esses romances de serem as obras-primas que tantos alardeiam), principalmente nos momentos em que tomam a palavra Rufino e Carvalhaes, o embaixador português, ambos com modos arrevezados e pedantemente discursivos, como se procurassem ocultar a realidade numa nuvem de palavras preciosistas.

Outro exemplo da deliciosa galhofa de Reflexos do Baile é a resposta de Jack Clay, o embaixador norte-americano, à esposa que pediu artefatos indígenas para uma exposição nos EUA: “Querida Melanie. Eu prometi que lhe mandava prontamente objetos dos índios brasileiros, mas eles vivem um tanto mais longe do Rio do que parecia”.

Mas talvez o que melhor indique por que esse livro é tão simbólico com relação ao momento em que foi publicado seja o episódio da chegada de um detector de mentiras a uma delegacia onde a tradição da tortura é cultivada e louvada. O aparelho causa perplexidade, decepção, dir-se-ia mesmo consternação: ninguém sabe como usá-lo porque ninguém sabe “onde dói”.

reflexos do baile

TRECHO SELECIONADO

Dirceu: Fui lá com o Vítor. O porra-louca do pai dela embarcou para a Ilha Maurícia ou Mascarenhas, segundo o Filipe atrás dum peru que fugiu do escudo da família, o que levou o Bernardo a desconfiar que a ilha seja mesmo do Maurício Mascaralhos, ou, segundo o Mejía, Mascarajos. O Filipe não chegou a estar com ela ontem porque saiu pelos fundos às carreiras para não esbarrar naquele nojo do Carvalhaes que passa lá volta e meia, a pretexto de saber notícias do Rufino, e deixa cartões e bombons belgas e o escambau, aquela frescura. Mas acho que não foi só isso não. O Filipe deve ter perdido muito tempo ouvindo a beata da Joselina a dizer a ele que a Juliana anda muito emotiva e no retiro de si mesma: Como é que uma moça tão rueira vive agora socada no quarto olhando a mesma revista aberta no colo dela na mesma página? Eu e o Vítor não demos trela demais à fofoqueira não, mas o Filipe contou à gente como ficou vidrado e esmaltado quando a Joselina disse a ele que a Juliana olhava o dia todo a revista tão carpideira e tão esquecida dela mesma que ficava igualzinha, mas igualzinha a Nossa Senhora da Piedade com o filho desvanecido nos joelhos. A gente não, a gente foi andando, ouvindo só um pouquinho a Joselina até ela abrir a porta do quarto e a gente parar no limiar com medo de falar à-toa com uma esquizo, pinel e catatônica. Juliana estava como a empregada, cabeça baixa, revista no colo. Ainda bem que ela levantou os olhos, fazendo força como se tivesse pálpebra de chumbo mas levantou, e aí sorriu, chamou a gente com a mão e a Joselina se mandou. Só de abaixar os olhos de novo ela mostrou a gente a foto que saiu no exterior do Beto dentro dágua até o cinto queixo enfiado no peito cortado de cordas no meio daquela porção de canoas cheias de gente flutuando em volta duns telhados e do toco da torre. O Vítor dobrou a revista e falou com ela na viagem que você, nós todos, queríamos que ela fizesse para dar tempo aos horrores de murchar e michar e ela olhou a gente com uns olhos tristes que nem gosto de lembrar mas secos, secos: Vou sim. Viajo para onde vocês quiserem. No dia seguinte. Seguinte? A quê? Ao baile que o Beto marcou…”

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31/03/2014

A MADONA DE CEDRO: transgressão, pecado e expiação em moldes dostoievskianos e joyceanos

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(resenha publicada originalmente em A TRIBUNA de Santos, em 26 de abril de 1994)

Publicado em 1957, A madona de cedro é um dos primeiros livros de Antônio Callado. Curiosamente, é bem melhor que outros posteriores como, por exemplo, Sempreviva, uma bomba atômica cujos efeitos radiativos de ruindade literária persistem muito tempo depois da malfadada leitura.

O protagonista de A madona de cedro, Delfino, é um mineiro de Congonhas do Campo que, para casar com a carioca Marta (pois o pai dela insiste que ele tenha casa própria para efetivar o enlace), a quem conheceu numa viagem ao Rio que mudará sua vida em vários sentidos, aceita roubar uma imagem sacra. Treze anos depois, casado, com seus filhos, recebe nova proposta de roubo. Tudo se complica porque um grotesco sacristão começa a chantageá-lo…

Tal trama e a ambientação barroca transpõem para o cotidiano moderno temas como trangressão, pecado, expiação, ou seja, forças que envolvem um homem não apenas comum como fraco (no sentido forte do termo, por assim dizer), mas que tem de tomar decisões sobre-humanas. Seria dostoievskiano se a comparação, além de esmagadora, não se revelasse inadequada, uma vez que Delfino, fraco como homem, é pior ainda como personagem: jamais consegue fazer com que nos identifiquemos com seus dilemas ou misérias (e essa identificação seria essencial num livro com essa temática), como conseguem os seres (mesmo os mais exagerados) de Dostoievski. É por essa razão que a cuidadosa construção do livro, tão envolvente e convincente a maior parte do tempo (e que funciona como bom registro de época), vacila na parte final: não se consegue crer na redenção (mesmo que irônica) de Delfino pelas ruas de Congonhas, nem no desenlace da sua história. E é aí que o sagaz e lúcido Callado dos artigos, declarações e posturas revela suas limitações como ficcionista.

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Outra vertente explorada no romance e cujo resultado acaba sendo um tanto quanto modesto como resultado é a técnica consagrada por James Joyce em Ulisses (1922), do stream of consciousness, o discurso-fluxo associativo que procura reproduzir movimentos psíquicos, como no trecho seguinte (no qual o autor entra na mente do padre Estevão, num momento de quase sonolência): “… o pior é a distração que não deixa a gente pensar até o fim num mistério, numa coisa impenetrável e portanto fazer correr a água de novo mas que correr de quem quando tudo impele amai-vos-uns-aos-outros em sentido chocarreiro aí está a distração nem um momento de concentração trá-lá-lá de polcas naquele casamento ora há tanto e tanto tempo e o Delfino subindo a rua…” O recurso “boia” timidamente na corrente do enredo, sempre com associações óbvias e unívocas, sem maior complexidade.

O saldo final, entretanto, dessa leitura motivada pela minissérie que começa a ser exibida esta semana pela Globo (uma adaptação do veterano Walter Negrão, com direção geral de Tizuka Yamasaki), é bem positivo, e o segundo romance de Callado preenche um espaço importante, muito comum na literatura norte-americana, por exemplo, e que faz falta na brasileira (onde todos são gênios): o dos bons romances, da ficção média, não-medíocre, que complementa a obra dos grandes. Isso não é pouco.

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28/03/2014

A trajetória romanesca de Antônio Callado (1917-1997)

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(resenha publicada originalmente em A TRIBUNA de Santos, em 04 de fevereiro de 1997- todas as notas de rodapé, todavia, são de 2014)

Não deixa de ser uma ironia do destino o fato de Antônio Callado, uma das grandes consciências do país e um dos nossos escritores com maior senso de responsabilidade social, ter morrido no mesmo dia (28 de janeiro) em que o Governo conseguia a vitória no episódio da reeleição, após uma abjeta e imoral campanha de pressões e conchavos, uma verdadeira desmoralização.

Callado não chegou a ser um grande romancista, mas sempre me impressionou o fato de ter um projeto ficcional muito ambicioso, almejando fazer a representação do Brasil através das mais variadas experimentações formais. Foi um dos raros escritores brasileiros contemporâneos com tal envergadura e se não vivesse num país com uma literatura tão ruim em geral como a nossa, poderia pertencer a um quadro que nos EUA é bastante comum: o da literatura média, nunca medíocre, de bom nível, sólida[1]. Como inexiste aqui essa literatura média, a tendência é valorizar demais um escritor como Callado, ou subestimá-lo em reação ao exagero. As duas atitudes são um erro.

Seus dois primeiros romances talvez sejam a melhor coisa que ele escreveu na área da ficção: Assunção de Salviano (1954) e A madona de cedro (1957), ambos atualmente no catálogo da Nova Fronteira. Eles mostram como as grandes ideologias (religião, atividade revolucionária) penetram no mundo popular, nas camadas baixas da população. Homens simples, simplórios mesmo, enfrentam questões como pecado, expiação, ativismo político. Neste sentido, Assunção de Salviano é plenamente bem sucedido na sua irônica fábula: na cidade de Juazeiro, um ateu convicto, Salviano, recebe instruções do Partido Comunista para se passar por beato. Ao assumir o papel, descobre a fé e acaba mártir do “ópio do povo”. Não é tão bem caracterizado o protagonista de A madona de cedro, o final do livro é um tanto forçado, mas no todo ele é um bom romance, aplicando técnicas ousadas de narrativa muito pouco usadas no mainstream ficcional brasileiro.

A junção religião-política rendeu a Callado sua mais ambiciosa (e mais falha) tentativa de reflexão sobre o país, já acuada pela ditadura militar: Quarup (1967, também atualmente editado pela Nova Fronteira). O grande senão desse livro importante é que falta ao autor estilo e complexidade de visão do mundo para sustentar essa ambição[2]. Entretanto, meu caro leitor, é bom avisar: essa é apenas a opinião de quem aqui escreve, porque muita gente admira Quarup e até o considera uma obra-prima, o livro mais expressivo dos tempos sombrios pós-1964 (não é, esse lugar provavelmente merece ser ocupado por Maíra, de Darcy Ribeiro)[3].

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O problema da repressão policial, do engajamento do intelectual (e do religioso) na política, a procura de novas formas narrativas, tudo isso foi explorado por Callado em outros três romances que cobrem a década de 1970 e o começo dos anos 1980, como tentativas de retrato alegórico do período: Bar Don Juan (1971), Reflexos do baile (1976) e Sempreviva (1981). Não li Bar Don Juan. Dos outros dois, o melhor é Reflexos do baile (ed. Paz e Terra), por causa da sua estrutura narrativa, feita através de trechos de diários e cartas, e do seu tom de caricatura cruel do mundo diplomático entretido com a ditadura. Mesmo assim, uma releitura do livro mostra que a intenção e o esforço parecem esbarrar num rendimento aquém do esperado. Falta complexidade ao romance, o favorito do autor.

Sempreviva (Nova Fronteira) desperdiça uma boa história com um estilo horroroso. Para se ter uma ideia do estrupício quase ilegível , o seguinte trecho: “Quinho se agarrara—para resistir, enquanto fosse possível, ao furacão autofágico, amoroso, talvez, mas excessivo, e por isso mesmo um tanto suspeito—à cabeceira da cama, e ficara, sabia lá por que, itifálico, inteiramente itifálico, quando Lucinda se achegou a ele…”; quer mais, leitor?: “Se sentia, imodesto, como se fosse nada menos do que uma vitória-régia, a cabeçorra verde boiando à superfície e sugando pelo rizoma os fluidos do lodo do rio. Era exatamente isso: sentia, em sua modorra, o que sentiria a irupê, enquanto aos goles, lhe subia à verde bandeja redonda, pelo canudo de refresco, a papa nutriente de florestas derretidas”.

A impressão, na época, era que Callado tinha perdido completamente o rumo[4]. Essa impressão foi reforçada quando do lançamento de Concerto carioca (Nova Fronteira, 1985), a história de um índio objeto de jogos sexuais no Rio de Janeiro. Há críticos que consideram o estilo desses dois livros intrincado, exigindo enorme concentração do leitor. O estilo deles, porém, não é intrincado. É amorfo, forçado, muito próximo dos artificialismos de Nélida Piñon.

O último romance publicado em vida por Callado, Memórias de Aldenham House (Nova Fronteira, 1989), é curioso pois, ao contar as experiências de um grupo de latino-americanos trabalhando na BBC em Londres (durante a Segunda Guerra, parece ter proporcionado ao autor a oportunidade de “limpar” um pouco a sua linguagem (mas só um pouco) e lembrar Graham Greene, que alguns colocam como sua influência inicial, mas que parece ter sido mais decisivo nesse livro tardio.

É um paradoxo: uma pessoa com tanta lucidez e tanta paixão intelectual e um resultado artístico tão pouco instigante, tão sobrecarregado, travado mesmo.

Em todo caso, como se vê, independentemente da qualidade de cada livro (que o leitor pode, e deve, conferir por si mesmo, não custa relembrar que Antônio Callado tem muitos admiradores como romancista), o autor de Quarup tinha uma obra atrás de si e também toda uma postura política e ética, que podia ser admirada nos seus artigos, estes sim sempre instigantes, coerentes.

É pena que tenhamos de testemunhar seu amigo Fernando Henrique Cardoso dar as costas para todo o ideário de justiça social do seu passado de militância intelectual e política, e abraçar com tanta avidez a causa da vaidade e o desejo de se perpetuar, custe o que custar, no poder.

Nesse sentido, a morte de Antônio Callado é até simbólica. Representa a morte de posturas éticas básicas nas quais o nosso presidente represidenciável, com a facilidade de um ditador de Banana Republic, põe a etiqueta de fracassomania.

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[1] Eu já não afirmaria tão categoricamente que a nossa literatura é “ruim em geral” e muito menos que Callado é um escritor “médio”. Creio que, pelo contrário, ele é tão irregular que chegou aos píncaros da ruindade em páginas e páginas de Quarup, por exemplo, e num nível muito acima da média, em outras páginas mais felizes ou menos preocupadas em fazer “bonito”, um bonito pernóstico.

[2] Mesmo porque o detalhamento da carreira erótica do Padre Nando, o protagonista, é um tédio só.

[3] Mas assim como Pessach: a travessia, de Carlos Heitor Cony, publicado no mesmo ano, o romance de Callado está entranhado no imaginário e no novelo ideológico da época, por isso nunca perderá uma certa importância simbólica, bem mais relevante que a literária.

[4] Tal afirmação não é muito exata: desde os primeiros livros, ele tinha essa defasagem do estilo e do tom adotados com relação às ricas possibilidades da fabulação.

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