MONTE DE LEITURAS: blog do Alfredo Monte

30/10/2014

Destaque do Blog: RETRATO DO ARTISTA QUANDO JOVEM CÃO no centenário do nascimento de Dylan Thomas


dylanjovem cão

“A geada tem conhecimento

por rumores dispersos no vento

que o gênio solitário de minhas raízes

gerou frutos de todos os matizes

e plantou um ano verde, para consolo

dos meus dias futuros.” (de A luta)

“…e eu tinha mais amor em mim do que poderia querer ou poderia usar…” (de Quem você queria que estivesse conosco?)

“Eu era um solitário andarilho noturno e um viciado em esquinas.” (de Como se fossem cãezinhos)

(o texto abaixo foi escrito especialmente para o blog, em outubro de 2014)

I

Um dos maiores poetas do século XX, Dylan Thomas foi também um grande prosador: aos 26 anos, publicou Retrato do artista quando jovem cão [Portrait of the artist as young dog, 1940, que comento na excelente tradução de Hélio Pólvora][1], cujo título ganhou uma aura de dupla derrelição: por um lado, incita a pensar numa posição artística epigonal e subalterna com relação ao Retrato do artista quando jovem (1916), de Joyce, mesmo com a extensão paródica do título (jovem “cão”); por outro, trata-se do retrato de um artista que, a rigor, nunca deixou de ser jovem, pois morreria precocemente, aos 39 anos (em 1953, depois de entrar em coma num bar no Greenwich Village novaiorquino).

Todavia, os dez contos do livro são extremamente peculiares e, caso possamos legitimamente aproximá-los do universo joyceano (no sentido da formação do escritor provinciano, oriundo de um ambiente no qual o rural e o urbano ainda estão estreitamente próximos, dentro do território do Império Britânico)[2], eles também têm o seu quê de Dublinenses: é uma comunidade e sua mentalidade a emergir dessas evocações de infância, adolescência e início da vida adulta[3]. Nelas, acompanhamos um garoto vivenciando de forma plena as experiências (os problemas e intrigas dos adultos chegam ao leitor através da sua percepção limitada do alcance deles), “alguns anos antes que eu soubesse que era feliz”[4] , um “cãozinho”, brincalhão, turbulento e indomável, até que se torne o jovem  cão inquieto e desgarrado naquele ambiente de pasmaceira, andarilho noturno solitário, “viciado em esquinas” (“Não quero ir pra casa, não quero sentar à lareira. Nada tenho a fazer quando estou em casa e não quero dormir. Gosto de andar sem rumo, de ficar assim, sem ter o que fazer, no escuro”), o qual, numa excursão pelo campo com um amigo, ao se afastar da cidade, bate em cada portão,”para dar a terrível benção de andarilho às pessoas das casas sufocantes”; e, por fim, o cão já na fronteira do mundo adulto, profissional da escrita (trabalhando na imprensa), varado de solidão e insatisfação, nos dois últimos relatos, A velha Garbo e Um sábado quente, vivendo — como um Pessoa galês — uma “tragédia inverídica e sincera”, “na solidão povoada que lhe desculpava o desespero, buscando a companhia embora a recusasse (…) Mais velho e mais sábio, mas não melhor, ele olhou-se no espelho para ver se sua descoberta e perda lhe estavam marcadas no rosto”.[5]

O ponto unificador, que faz com que os dez contos possam até ser tomados como dez capítulos de um romance orgânico, mas de estrutura algo solta, é que todas as vivências servem para alimentar o trabalho interno do escritor:

     “Quando mostrei esta história ao sr. Farr, muito tempo depois, ele disse:

__ Está errado, você misturou as pessoas. O menino do lenço dançava no Jersey. Fred Jones cantava no Fishguard. Mas não importa. Venha esta noite tomar um gole no Nelson. Tem uma moça lá que lhe mostrará onde o marinheiro mordeu-a. E tem um policial que conheceu Jack Johnson.

__ Em breve eu os porei num conto—disse.”[6]

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II

Avatares ficcionais do autor de Retrato do artista quando jovem cão: Dylan (Os pêssegos); sr. Thomas—no sentido respeitoso de um “jovem senhor” (Uma visita ao avô); filho da sra. T.[7] (Patricia, Edith e Arnold); sr. Thomas—no sentido zombeteiro de aluno chamado às falas pelo professor (A luta); o rapaz de “nome galês” (O extraordinário Tossidela)[8]; o rapaz que mora perto do Cwmdonkin Park—endereço “de categoria” (Como se fossem cãezinhos); o jovem sr.Thomas—intelectual que discute socialismo e literatura (Onde o Tawe corre); o andarilho de 1, 52 m e 51 kg (Quem você queria que estivesse conosco?); Thomas—o aprendiz de repórter (A velha Garbo); Jack—como uma moça por quem se encanta insiste em chamá-lo (Um sábado quente).

Sete dos relatos são narrados em primeira pessoa: assim, em Os pêssegos (um dos momentos antológicos do livro), temos o pequeno Dylan em visita ao mundo rural dos tios, fazendo com que os mínimos detalhes e sensações do mundo físico se apresentem de forma aguda para o leitor, e que entreouve uma discussão a respeito da mãe de um colega mais afortunado (uma dívida que não se tem coragem de cobrar explicitamente, a forma despreziva e superior de sua atitude para com os parentes dele, sinalizada pela recusa em aceitar um prato com pêssegos).

Temos, por um lado, o encantamento com o mundo: “… senti o meu corpo jovem semelhante a um animal excitado que me cercava, os joelhos feridos querendo dobrar-se, o coração aos arrancos, aquele calor profundo por entre as pernas, o suor ardendo nas mãos, túneis cavados nas membranas do tímpano, bolotas de sujeira entre os dedos dos pés, os olhos quase fora das órbitas, a voz entrecortada, o sangue disparando, eu pensava apenas em fugir, pular, nadar e esperar o instante de cair em cima da presa. Ali, brincando de índios ao entardecer, tinha consciência de estar eu mesmo exatamente no meio de uma história viva, meu corpo sendo a minha aventura e o meu nome”.

Por outro, a tensão das relações adultas:

“Então a voz de Annie ficou tão suave que não pudemos ouvir as palavras, e o tio disse:

__ Ela pagou os trinta xelins?

__ Estão falando da sua mãe—eu disse a Jack.

    Annie falou baixo por muito tempo, de modo que só pegávamos uma palavra ou outra. A sra. Williams e automóvel e Jack e pêssegos. Imaginei que ela estivesse chorando, pois a voz faltou-lhe na última palavra.

    A cadeira de tio Jim rangeu outra vez, ele devia ter esmurrado a mesa, e nós o ouvíamos gritar:

__ Pois eu lhe darei pêssegos! Pêssegos, ora pêssegos! Quem ela pensa que é? Os pêssegos não são dignos dela? Para o inferno seu maldito automóvel e seu maldito filho! Humilhando a gente…”

    Esse mundo de meninice (no que a palavra engloba da criança e do adolescente) é narrado pelo protagonista  também  em Uma visita ao avô, A luta, O extraordinário Tossidela. Ele começa a se afastar explicitamente dele em Como se fossem cãezinhos. E talvez o conto que represente o “rito de passagem” mais explícito seja Quem você queria que estivesse conosco?, no qual ele narra uma excursão vagamente libertária até a Cabeça do Verme, um rochedo inóspito, levada a cabo na companhia do enlutado amigo Ray, que perdeu quase todos os parentes mais próximos, devido a doenças longas e terríveis.

É uma perambulação revestida de explícito significado simbólico para ambos: “Fugíamos a toda, ou caminhávamos, com orgulho e malícia, e arrogantemente, para longe das ruas que nos prendiam, rumo ao imprevisível campo (…) Uma ovelha baliu baa! Em algum lugar, o que prenunciava as Terras Altas. Qual o prenúncio, isso eu ignorava…”

A meio caminho essa energia libertária esmorece, eles acabam desistindo da caminhada a pé, e tomam um ônibus. O encantamento com a aventura perdura, entretanto, nos primeiros instantes que passam no objetivo da excursão, o Cabeça do Verme: “Em vez de me tornar pequeno no grande rochedo colocado entre o céu e o mar, senti-me do tamanho de um edifício respirando, e no mundo inteiro somente Ray poderia igualar meu admirável berro quando eu disse: Por que não viver aqui para sempre? Sempre e sempre. Construir uma maldita casa e viver como se fôssemos uns malditos reis! Esta palavra ecoou entre as aves grasnadoras, que a transportaram para as terras não lavradas nos tambores de suas asas”.

Ray, todavia, parece deslocado ali na amplitude: “Não conseguia relaxar e esticar-se ao sol e rolar de lado para olhar um precipício que descia até o mar, ao contrário, tentava sentar-se na vertical, como se estivesse numa cadeira dura e nada lhe restasse fazer com as mãos. Brincava com a bengala domada e esperava que o dia transcorresse em ordem e que a Cabeça produzisse caminhos, que surgissem gradis nas bordas escarpadas”.[9]

Isso se deve a algo que Joyce, Faulkner e William Kennedy nos fizeram sentir com muita força ao longo da sua ficção: a presença dos mortos no cotidiano dos vivos, que exorbita na vivência do jovem Ray (respingando, por assim dizer, em seu companheiro—afinal, ele não é um jovem escritor à toa). Ao evocarem o jogo indicado pelo título, essa presença se torna opressiva, ocupando mais espaço do que deveria, principalmente numa excursão libertária: “O vento rodeou a Cabeça e resfriou nossas camisas de verão, e o mar começou a cobrir rapidamente o nosso rochedo, já coberto de amigos,  cheio de vivos e mortos, investindo contra as trevas”.

Quando reencontrarmos o “jovem cão”, nos dois derradeiros textos do livro, ele já será praticamente um adulto e muito diferente do menino cujo corpo era sua aventura e seu nome.

Retrato do Artista quando jovem cão

III

Os três relatos em terceira pessoa permitem que o leitor veja o “jovem cão” de outra forma, em idades distintas: ainda bastante menino (em Patricia, Edith e Arnold, que poderia ser incluído em qualquer antologia dos melhores contos do século passado); já saindo da adolescência e envolvido em discussões intelectuais e literárias — além de postado frente a opções radicais do modo “adulto” de ser, como a engrenagem da vida conjugal (que ele testemunha em Onde o Tawe corre: temos aí o homem casado que recebe jovens em sua casa, entre eles o sr. Thomas, para discutir socialismo e criar um romance coletivo, uma experiência bem “moderna”, decerto, mas num horário estrito, imposto pela sensata esposa, após o qual ele deve colocar o gato para fora e se recolher); e já um cão movimentando-se como “adulto” (Um sábado quente), apesar de o narrador se referir a seu protagonista ora como “menino”, ora como “rapaz”, mas sempre de uma forma elegiacamente irônica, como um réquiem daquele mundo todo explorado pelos relatos anteriores.

    Patricia, Edith e Arnold, assim como Os pêssegos, mostra uma intriga adulta acontecendo em paralelo aos apaixonados interesses momentâneos do protagonista: temos a descoberta por parte de duas criadas de que mantêm um relacionamento com um mesmo homem, e ambas — levando o menino— partem para um confronto (para o menino, uma aventura: “Ele sabia que aquela seria uma tarde em que tudo poderia acontecer”; e também, aqui, o escritor já está praticamente formado—como diz a criada de sua casa, Patricia, para a “rival”: “Ele observa tudo”). É um texto esplêndido, inclusive pela maneira como ele consegue caracterizar tudo de uma forma definitiva (linguagem corporal, personalidades): “Patricia sacudiu a cabeça, e o chapéu pendeu sobre um olho. Enquanto endireitava o chapéu, ela disse com sua voz de botar tudo em pratos limpos…” E, para coroar, ainda arremata com uma frase perfeita — que não revelarei aqui.

    Um sábado quente é, e não só por ser o conto derradeiro, o clímax de Retrato do artista quando jovem cão. Temos a solidão e carência do protagonista perambulando por uma cidade que é sua e ao mesmo tempo já não é (com seu destino de “poeta” assumido): “Ele pensou: poetas vivem e andam com seus poemas; um homem com visões não requer companhias; sábado é um dia terrível: devo ir para casa e sentar-me no meu quarto junto ao aquecedor. Mas ele não era um poeta vivendo e andando, era um rapaz numa cidade marítima, num quente e concorrido feriado, com duas libras para gastar. Não tinha visões, somente duas libras e um corpo pequeno com os pés na areia tumultuada; serenidade era coisa para velhos; e o rapaz se afastou, sobre as agulhas da ferrovia, rumo à estrada dos trilhos do bonde”.

Como certos heróis de Scott Fitzgerald, ele se deixa levar, meio passivamente, por uma “aventura” com potencial tanto de alto romantismo (pois ele quer se apaixonar e se ligar a alguém) quanto de mundanismo um pouco sórdido e derrisório (“Ó amor!Ó amor! Ela não é uma dama com sua típica voz monótona, ela bebe que nem um mergulhador em águas profundas; mas Lou, escute aqui, eu sou seu, Lou, você é minha”).

Conduzido, junto com um grupo, para a moradia da moça por quem se apaixona (Lou), ele adentrará — quando sair do quarto dela para ir a um banheiro externo — como que em outra órbita narrativa, mais inquietante, menos figurativa (se posso me expressar assim), muito pressaga (bem distante do dia ensolarado, festivo e mundano que deu o “tom” a páginas e mais páginas) quanto ao futuro desse poeta em flor, errando pelos andares de uma edificação que se torna labiríntica, “passando por barulhos de vida secreta atrás de portas”:

    “Esperou muito tempo na escada, embora já não houvesse amor à sua espera, nem cama, senão a sua, a muitos quilômetros de distância, onde deitar-se, e somente o dia próximo para relembrar a sua descoberta. Ao seu redor, os perturbados moradores de casa de cômodos voltaram a cair no sono. Depois, ele saiu da casa para o vasto espaço sob os inclinados guindastes e escadas de mão. A luz de uma débil lâmpada enferrujada caía através dos montes de tijolos e de madeira partida e do pó que outrora fora uma casa, onde pessoas humildes e quase anônimas e jamais relembradas na cidade suja tinham vivido e morrido, todas elas, para todo o sempre, perdedoras”.

Maquette, Maquette of book cover design: Dylan Thomas, Portrait of a Young Artist as a Young Dog

IV

   “No centro seguro de sua própria identidade, o mundo familiar à sua volta, semelhante a outra carne, ele estava sentado triste e satisfeito na sala de um hotel comum e banal à beira-mar, na cidadezinha tediosa e espalhada onde tudo estava acontecendo. Não tinha necessidade do escuro mundo interior quando Tawe fazia pressão contra ele, e pessoas excêntricas e comuns irrompiam, violentas, e arrastavam-se com estrépito e cores para fora de suas casas, para fora de seus prédios feios, fábricas e avenidas, lojas brilhantes e capelas blasfemadoras, terminais e centros de convenções, becos decadentes e alamedas de tijolos, saindo dos arcos, abrigos e buracos atrás dos tapumes, saindo da inteligência comum e selvagem da cidade.” (trecho de Um sábado quente)

E após esse ligeiro percurso pelas linhas de força de Retrato do artista quando jovem cão, só uma inabilidade extrema de minha parte impediria o leitor de perceber com clareza por que Dylan Thomas não pode deixar de ser incluído também no rol dos prosadores (ou praticantes da “poesia da prosa”) de primeira.

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____________________________

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ANEXO

Abaixo, transcrevo um dos meus poemas prediletos de Dylan Thomas na tradução de Ivan Junqueira (Poemas Reunidos: 1934-1953, também editado pela José Olympio, como Retrato do artista quando jovem cão). É o último da coletânea Mortes e entradas (1946):

COLINA DE SAMAMBAIAS

Quando, junto à casa em festa, sob os ramos da macieira,

Eu era lépido e jovem, e feliz como era verde a relva,

     A noite suspensa sobre as estrelas do desfiladeiro,

          O tempo a permitir que eu gritasse e me erguesse,

    Dourado, no fulgurante apogeu de seus olhos,

Eu, venerado entre as carroças, era o príncipe da cidade das maçãs,

E certa vez, com orgulho, fiz com que as árvores e as folhas

            Se arrastassem com margaridas e cevada

     Até os rios iluminados pelos frutos caídos sobre a terra.

 

E como era moço e descuidado, famoso entre os celeiros

Ao redor do pátio feliz, e cantava, pois a fazenda era o meu lar,

   Sob o sol, que é jovem apena uma vez,

         O tempo deixava-me brincar e ser dourado

    Na misericórdia de seus bens,

E, verde e dourado, eu era caçador e pastor, mugiam os bezerros

Ao som de minha trompa, das colinas vinha o uivo claro e frio das raposas,

        E lentamente ecoava a celebração do domingo

    Nos seixos dos córregos sagrados.

 

Tudo fluía e era belo sob o sol: os campos de feno

Altos como a casa, a música das chaminés, tudo era ar

     E ecoava, cheio de água e sortilégio,

         E fogo era tão verde quanto a relva,

    E à noite, sob a luz das estrelas humildes,

Enquanto eu cavalgava rumo ao sono, as corujas subjugavam a fazenda,

E sob a lua, abençoado entre os estábulos, eu ouvia os noitibós

        Voando entre as medas, e os cavalos

    Que flamejavam em meio às trevas.

 

E então, ao despertar, a fazenda, como um vagabundo

Branco de orvalho, regressa com o galo sobre o ombro: tudo

    Fulgia, tudo era Adão e sua donzela,

       O céu se adensava outra vez

   E o sol crescia ao redor daquele dia imaculado.

Assim deve ter sido após o nascimento da luz elementar

No primitivo espaço giratório, e os ardentes cavalos encantados

       Saíam relinchando da verde estrebaria

   Rumo ao campos da celebração.

 

E na casa em festa, venerado entre raposas e faisões,

Sob as nuvens recém-formadas, e tão feliz quanto era grande o coração,

    Ao sol que renasce a cada dia,

       Eu corria por meus caminhos temerários,

   Meus desejos  se precipitavam pelo alto feno da casa

E nada me importava, em meu comércio celestial, pois o tempo

Em suas órbitas melodiosas, só concede raras canções matinais

         Antes que as crianças verdes e douradas

    O acompanham até o estertor da graça,

 

Nada me importava, nos dias brancos como cordeiros, que o tempo

                                                                                     [me levasse,

Pela sombra de minhas mãos, até o paiol cheio de andorinhas,

    Sob a lua que jamais deixa de galgar os céus,

      Nem mesmo, ao cavalgar rumo ao sono,

    Que chegasse a ouvi-la flutuar entre os altos campos

E acordasse na fazenda apagada para sempre nessa terra sem crianças,

Ah! Quando eu era lépido e jovem, na misericórdia de seus bens,

   Embora eu cantasse em meus grilhões como canta o mar.

 ________________________________________________

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NOTAS

[1] De saída, é interessante notar que, pelo que depreende dos textos do livro, Dylan Thomas desde muito cedo se percebeu como escritor, e tanto autor de contos quanto de poemas:

“… a égua parecia uma estátua desajeitada a trotar, e todos os demônios dos meus contos, se trotassem ao lado dela ou se, reunidos, lhe fizessem caretas, encarando-a bem nos olhos, certamente não a fariam  sacudir a cabeça ou se apressar”, lemos no conto inaugural, Os pêssegos.

[2] Um universo que está presente ainda em Beckett, basta ler Molloy.

[3] Thomas nasceu em Uplands, parte de Swansea (em 27 de outubro de 1914). Sua família era oriunda dos condados de Carmarthen e Cardigan.

[4] Lemos em O extraordinário Tossidela.

[5] Lemos em Um sábado quente.

[6] É o final de A velha Garbo.

[7] “Quando ela se foi, Dan perguntou:

__Por que um homem tem sempre vergonha da mãe?

__ Talvez não tenha quando crescer—eu disse, mas em dúvida. É que, uma semana antes, eu descia a High Street com três meninos antes da escola e vi minha mãe com a sra. Partridge fora de Kardomah. Eu tinha certeza de que ela me chamaria na frente dos outros e diria: Vá para casa a tempo de pegar o chá, e desejei que a High Street se abrisse e me tragasse. Eu amava e repudiava minha mãe…” (trecho de A luta)

Com relação ao pai: “Recostei-me no balcão, entre um vereador e um tabelião, que bebiam cerveja amarga, desejando que meu pai me visse, e ao mesmo tempo feliz porque ele estava de visita ao tio A. em Aberavon. Ele não poderia deixar de ver que eu não era mais menino, nem deixar de zangar-se por causa do ângulo do meu cigarro e do meu chapéu e da maneira como agarrava a caneca de cerveja.” (trecho de A velha Garbo)

[8] No qual a mescla camaradagem/rivalidade das relações masculinas adolescentes às vezes ameaça uma atmosfera O Senhor das Moscas (1954), de William Golding, inclusive com um bode expiatório (o Tossidela do título, “zoado” pelos demais garotos, e um tanto patético).

[9] O que destoa decerto da atitude do início do relato: “Batíamos em cada portão para dar a terrível bênção do andarilho às pessoas das casas sufocantes”.

Dylan Thomas

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