MONTE DE LEITURAS: blog do Alfredo Monte

07/12/2012

UNIVERSO EM EXPANSÃO: O êxodo do rural para o urbano de Maria Valéria Rezende


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I

(resenha publicada originalmente em A TRIBUNA de Santos, em 19 de agosto de 2006)

Vasto mundo, coletânea que marcou a estréia de Maria Valéria Rezende, extraía seu cerne do meio rural paraibano. No seu livro seguinte, O voo da guará vermelha, ela aproveitava a amplidão que o romance oferece para fazer com que a origem agrária das personagens não se perdesse totalmente no cinzento espaço urbano onde transcorre a trama principal, resgatando a trajetória do protagonista.

Sobrou pouco espaço para o rural nos dezesseis textos de Modo de apanhar pássaros à mão, embora o leitor que se tenha tomado de apreço por Farinhada (Vasto Mundo) e pelo casal Rosálio-Irene (O Vôo da Guará Vermelha) os reencontre em dois momentos: em Sagüi, vemos a prostituta Irene, apesar de aidética, relutar em aceitar clientes sem camisinha, não que a tentação não surja, e lutar contra uma lembrança simultaneamente dolorosa e alentadora; Maurílio, de A Bicicleta, pensa em voltar para Farinhada, devido à confusão em que se meteu movido por sua paixão pela bicicleta do título: “Parece que eu estava adivinhando quando vi você lá na loja, linda, roxinha, tão diferente das outras”.

Irmã de destino de Maurílio é a paraibana grávida que pede ao marido, o narrador de Desejo, que lhe arranje romãs em plena São Paulo. Pois sejam bicicletas roxas, sejam romãs, a vida nunca é apenas sobrevivência e luta. Mesmo com a perda do emprego e uma desesperadora fila de banco para retirada do fundo de garantia, há a possibilidade de reinventar a vida alheia (Ficção). Há até a possibilidade de se oferecer a própria miséria em espetáculo (Viaduto).

Essa brecha num cotidiano idiotizado e desmoralizador é explorada de forma poderosa num dos mais longos (e o melhor entre eles, junto com o conto-título) relatos do livro, Dilema: em meio a um universo de elevadores quebrados, subidas penosas até o andar em que se mora, emprego frustrante e vocação fracassada, Alicia descobre que o romanesco mora ao lado, encarnado na frágil vizinha, refugiada do Leste Europeu, dona Romana, com seu foulard cor de maravilha e quem sabe do que mais?”, com seu rosto rosado, “onde veinhas azuis desenham um craquelê de louça antiga”, com lágrimas das quais uma escorre e fica inteira, como um cabochon de cristal”, em cujo apartamento há “um relógio rococó, exposto sobre uma credência de bela marchetaria, enfim, da escolha das palavras que a autora tece caprichosamente em torno dela até o papel que ocupará no destino de Alicia, toda a aparentemente inocente figura da velhinha se destina a ser um modo de apanhar o leitor a laço, numa atmosfera que nada fica a dever a um Paul Auster.

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II

(resenha publicada  originalmente em A TRIBUNA de Santos, em 26 de agosto de 2006)

Comentando Modo de apanhar pássaros à mão, destaquei na seção anterior o conto Dilema, no qual ao naufrágio da existência (revelado por meio de arruinados e petrificados objetos) de uma refugiada do Leste Europeu contrapunha-se uma reviravolta romanesca, eixo transfigurador do relato.

O cruel O sonho e o tempo não permite tal redenção à protagonista, a qual tenta, através da diáfana harpa que lhe coube de herança, emergir da decadência da sua família e dos interditos da vida como mulher. Tocar algum dia a harpa era o seu heroísmo para enfrentar o mergulho na pobreza. Esse é o sonho. O que o tempo faz com ele, é melhor nem contar, embora quando Maria Valéria Rezende conte até o cruel possa ser hipnótico.

A harpa também é a jaula etérea construída em torno da tia da narradora de Lamento para Harpa e Tuba (conto admiravelmente construído, um dos exemplos máximos do virtuosismo que Modo de apanhar pássaros à mão desvela, mais que exibe) condenada ao papel da solteirona da família, uma das “meninas”, seja em que geração estiver, até que um abençoado passo em falso a empurre para a turbulenta, chã e plebéia tuba.

Afirmei acima que a coletânea mais desvela do que exibe o virtuosismo da autora. É uma diferença fundamental, e nenhum relato a demonstra mais cabalmente do que o conto-título. Nos últimos anos, tivemos alguns autores que aliaram a exploração da violência urbana e a irrealidade contemporânea com os rescaldos de uma erudição, exibicionista e fútil, que caía meio de pára-quedas, caso de Rubem Fonseca (por exemplo, em Bufo & Spallanzani ou Vastas emoções e pensamentos imperfeitos) ou Patrícia Melo (Acqua Toffana).

É contundente a maneira como Modo de apanhar pássaros à mão utiliza a receita de um manual do século XVIII para que o narrador a coloque em prática no terreno mais artificioso e falso da civilização capitalista, o mais preocupado com o aparente e o efêmero: o universo da alta moda, aquele que desperta o desejo sendo apenas uma fantasmagoria, e aquele em que a mulher é imobilizada em imagens tão petrificantes quanto as dos contos de fada: bela adormecida, branca-de-neve. E, ao fim e ao cabo, o olho do fotógrafo obcecado pela mulher-imagem denuncia um abissal antierotismo (não só no sentido do sexo, quanto de Eros como sinônimo de pulsão de viver), característico desse universo, a sua tanatização, por assim dizer.

Trata-se de um ponto alto na nossa ficção atual. A autora ainda se permite fantasias caprichosas como a do irmão de Drácula que descobre os prazeres dos trópicos e dos rodízios de churrascaria (Metamorfose) ou da mulher que manda uma manifesto delicioso pela Internet antes de fechar de vez sua conta (Manifesto ou como antigamente), após um embate com uma feia realidade nada virtual, ainda menos virtuosa: “Agora vem esse gordão nojento, com o microfone sem fio na mão esquerda e já metendo a direita entre a calcinha e a bunda da menina… sem parar de berrar essa porcaria de mentira eleitoral, metendo a mão, a menina não quer, se retorce, se vira tentando escapar, me olha, ela também tem uma falha nos dentes, foi um segundo mas eu sei que ela me olhou suplicante, pedindo socorro, meto a mão na buzina, grito, xingo e ninguém me ouve…”

No seu êxodo do campo para a cidade, Maria Valéria Rezende parece ter mantido sua faca só lâmina, afiada e precisa.

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TRECHOS SELECIONADOS

“Há meses que o reumatismo de Dona Romana vai passar logo e que Alícia assume o papel de enfermeira, companhia e, afinal, dona da casa. Sua literatura teve de ser posta entre parênteses mas isto vai passar logo, tanto quanto os achaques da velhinha. Alícia não confessa mas, no fundo, está gostando, sobretudo pela oportunidade que tem tido de xeretar nos misteriosos guardados da outra, atendendo aos constantes pedidos de Dona Romana para que procura uma coisa ou outra nos armários e gavetas, muitas vezes um mimo, um pequeno camafeu, um finíssimo binóculo para ópera, um livro, uma caixinha de lenços de renda de Bruxelas que quer dar a Alícia como forma de agradecer-lhe os cuidados. Até agora a bisbilhotice da escritora só lhe tinha rendido mais perplexidade sobre a verdadeira personalidade e a intrigante biografia da vizinha, além de algumas sugestões interessantes para algum trecho descritivo de um personagem que ela um dia há de criar. Mas nesta tarde de sábado, enquanto a outra dorme sua sesta, Alícia se aventura a esquadrinhar mais profundamente o estranho armário, que enche um terço da sala, cheio de gavetas e desvãos sugerindo compartimentos secretos e, abrindo uma gaveta quase invisível, perfeitamente encaixada e disfarçada em complicadas folhagens entalhadas, encontra três grosos cadernos de capa dura, atados com uma fina desbotada e cobertos de ponta a ponta pela fina escritura de Dona Romana, a mesma que, apenas mais trêmula, ela lê todas as semanas nas listas de compras a fazer. Impossível resistir…” (trecho de Dilema, a meu ver uma das obras-primas de Maria Valéria Rezende).

“Irene, cansada, cansada, como custa esforço não pensar em nada!, como custa afastar do pensamento a criança nos braços encarquilhados da velha naquele barraco fincado na lama, o papel amarelo com o resultado do exame, o médico falando, falando, falando, o tempo passando, passando, passando numa correria, quase todo dia já é segunda-feira, ir levar um dinheiro para a velha, ir saber se o  remédio prometido chegou, pegar o pacote de camisinhas e ouvir a assistente social lhe dizer que mude de vida…” (trecho de Sagui, fragmento belíssimo de O voo da guará vermelha)

“… minha mão se estende leve e firme ajeita melhor com um ligeiro toque uma das dobras do lençol de seda encobre revelando esta esplêndida nudez foi preciso ajudá-la a despir-se estava um pouco tonta mas ela consentiu claramente consentiu consentiu queria também  foi a bênção a consagração esse consentimento o desejo dela a entrega porque eu não quero só o corpo só a luz a cor a maciez o calor do corpo quero a alma de Íbis a alma que se entrevê agora que ela entreabre os olhos e sorri os lábios formando um silencioso vem! mas não não!  volto a sentar-me na poltrona imóvel meditativo não é a hora qualquer precipitação estragaria tudo tenho de conter-me…” (trecho de Modo de apanhar pássaros à mão, coitadinha da Patrícia Melo)

“… ei, bróder, porteiro, por favor, onde vende romã?, o quê?, essa planta aí é romã? um pé disso vivo em São Paulo?, no meio do cimento?, vejo nada, no escuro, nem conheço, por favor, chego aqui, abre essa grade, dá uma romã que eu tiro a morto, louco não, é minha mulher grávida com desejo, só quero uma romã, uma só, é romã?…” (um Cântico de Salomão degradado no asfalto da cidade grande, um dos melhores momentos da coletânea: Romã)

“…uma penteadeira fantástica, que Tia Lucinda chamava de psichê, com o enorme espelho oval cercado de anjinhos dourados, gordinhos, cada um diferente dos outros. Sobre o tampo de mármore rosado do psichê, misturavam-se uma infinidade de frascos de perfume das formas mais estranhas, batons e caixinhas de ruge, com que podíamos pintar-nos, aquelas caixas de porcelana para o pó-de-arroz, com tampas que eram bibelôs de damas antigas em poses lânguidas e saias de mil babados de tule, cofres com bailarinas rodopiando sobre espelhos, cheios de broches, pulseiras, anéis, colares que ela nos deixava revirar e experimentar o quanto quiséssemos. Felizes, acreditávamos que era tudo ouro e pedras preciosas, um tesouro riquíssimo em nossas mãos. Só no quarto de Tia Lucinda podíamos nós,  pobres injustiçadas no mundo dos grandes, mexer nas coisas, e vê-las à vontade com os olhinhos invisíveis que tínhamos nas pontas dos dedos…”  (trecho de Lamento para harpa e tuba)

“Todas as tardes lá íamos nós, em bando, para o cinema Pathé, ver o seriado do Homem Invisível, que eu não via mesmo, cega pela aflição de saber que ele ali estava, sua mão a poucos centímetros da minha, desejando o mesmo que eu, e uma prima sempre ao meu lado, que tampouco via o Homem Invisível porque não desgrudava os olhos de meu colo, tentando ver por ali, entre as duas poltronas, o excitante acontecimento do encontro das mãos…” (trecho de O Homem Invisível, que me lembrou o tipo de relato desenvolvido com tanta felicidade por Lygia Fagundes Telles em Invenção e Memória)

“Cresci, a lembrança de Polixena misturou-se com outras histórias de princesas, dragões, castelos e mistérios, que ficaram guardadas, envoltas em algodão num canto da memória, enquanto eu entrava no mundo imediato da adolescência com seus prementes desejos, medos, sensações e descobertas, mas, de algum modo, sabia que Polixena estava no centro daquele sentimento de privilégio e proteção com que eu atravessava a vida. Eu gostava das meninas e elas de mim, a namorada do momento consolou-me quando meu pai morreu, eu quase não via meu irmão e nem sentia sua falta, sentia-me amado, tivera um pai perfeito, tinha uma mão linda e amorosa, eu era feliz. Meu irmão era infeliz…” (trecho de A Princesa de Tróia, que ganha com a inserção no conjunto, mas é o momento mais fraco do livro)

“Já te contei, não foi?, como é que eu consegui comprar você com o dinheiro mais duro de ganhar da minha vida, o maior medo que eu já passei e até agora, pensando naquilo, eu me tremo todo. Eu que sempre passei longe do Bitola e da galera dele, eu, hein! Aquilo lá não presta, é droga, é assalto, é tudo o que há de ruim, e eu não quero nada com uma gente assim, me guardo dessas coisas que eu quero é ter o coração em paz, mas pra qualquer um pode chegar  uma hora como aquela, eles me cercando, a galera toda junto, e dali só se escapa pra morte. Morrer eu não queria não, que sou novo demais e, depois, o desespero de minha mãe seu eu morresse, já pensou?” (outro dos meus favoritos, A bicicleta)

“É hora de começar a investir, meu querido irmão, e que melhor investimento poderia haver para nós do que uma grande cadeia de churrascarias rodízio, abertas vinte e quatro horas, hein? Que me dizes? Negócio promissor e seguríssimo, já que a última coisa que as pessoas deixam de fazer, quando lhes faltamos meios, é comer! Já tenho todos os planos feitos  para a mais grandiosa dessas cadeias e pensei até em ligar as várias unidades  com um sistema de túneis que lhes acrescentaria encanto e praticidade para nossa administração. Exagerei nos planos mas não quero renunciar a nada e portanto falta-me um sócio que traga um bom capital. Que melhor sócio poderia eu desejar do que meu próprio irmão, o único que pode compreender profundamente o que tudo isto significa para mim?” (trecho de Metamorfose, o meu favorito pessoal, apesar de não ser necessariamente o melhor)

“Fico olhando o bumbum da garota se requebrando lá em cima, na beirada do caminhão, balançando a bandeirinha do candidato com uma mão mole, cansada. Não há mais nada pra eu olhar, o caminhão tapa tudo. Grande merda!, a menina não tem nem catorze anos, basta começar a tomar formas de mulher pra eles começarem a explorar, é só vestir minissaia, um exíguo top e sacudir a bunda, debaixo desse sol de duas da tarde, por dois cachorros quentes de carrocinha e dez reais no fim do dia.” (trecho de Manifesto ou Como antigamente)

“Reivindicou outra vez as aulas de harpa, mostrando as mãos agora magras e compridas. Não havia mais professores desse instrumento na cidade. Contentou-se, provisoriamente, com dois discos de música de harpa, para tocar na vitrolinha da irmã, quando esta permitisse. Fazia baixezas para obter tais permissões, inclusive acompanhar a irmã nas festinhas de quinze anos, nas tardes dançantes do clube, onde, segundo o pai, ou vão as duas ou não vai nenhuma…” (trecho de O sonho e o tempo)

“Acabou. Este pacotinho de notas é o ponto final, acabou-se, isto agora não volta mais pra trás, eu ainda com uma esperancinha até receber este dinheiro, está aqui a prova de que estou mesmo desempregada, nunca fui desempregada, antes era só ainda não empregada, pra que lado eu vou, meu Deus, nesse calor, nessa rua cheia de desempregados?, só pode ser, essa gente toda andando de um lado pro outro, desamparada, menos o rapaz feliz, solta ele ali, sabe muito bem pra onde vai, e por que é que eu estou indo atrás dele?, ai, não ande muito depressa, não vê que eu tenho as pernas curtas?, pra que correr tanto?, onde é que ele vai?, ai, graças a Deus, pro shopping… pelo menos tem ar condicionado!, espera, meu filho, eu estou de salto alto…”  (trecho de Ficção)

“Que nada!, na frente dele se juntando aquelas sombras impassíveis, muito mais gente do que ele viu no começo, velhos, adultos, multidão de crianças, olhando pra ele espantados, mas ninguém dá um passo pra fora do viaduto. Albérico tenta gritar ainda, convencer as vítimas a salvar-se, mas a voz não sai mais, acabou-se de vez. Tem um rádio qualquer ligado  nesse mundo: dezesseis horas e cinquenta e três minutos, chove a cântaros na capital paulista, e a chuva deve aumentar nas próximas horas. Aquela gente  toda ali parada, braços cruzados, não, não vai acontecer nada. Albérico sente a alma cair-lhe aos pés como um pedaço de papel molhado de lágrimas, antes disfarçadas pela chuva, agora denunciadas pelos soluços que já não dá mais pra segura: Vem pra cá, rapaz, sai dessa chuva, o homem magro com a barba enorme puxa Albérico pra debaixo do viaduto, o moço tá passando mal, gente, traz um caixote aí pra ele sentar. Aí, senta, moço, senta, rapaz. O viaduto não vai cair não, não tem perigo, esse é o melhor de São Paulo…”(trecho de outro ponto alto, Viaduto)

“Nunca fiz isto antes, mas o teu olhar dolorido desatou meu silêncio. Só eu vi, só eu sei, sei a profundidade, a altura e a amplitude da tua dor. Eu, sim, a velha tia silenciosa e apagada, tranquila como uma poça d´água que, não, nunca sofreu sua própria dor de amor, nem ardor de paixão, nunca sentiu punhal de ciúme, só sentimentos muito tênues, ínfimos encantos, pequenos dolorimentos em surdina, dos que nem arranham a pele da alma. Por isso mesmo meus olhos sempre foram claros, completamente videntes, porque nunca houve em mim sentimento soberano que os turvasse, nem desejos prementes que distorcessem os objetos e os fatos, nem expectativa ou ambição que me perturbassem a  intenção do olhar; pude permanecer sempre  atenta ao mundo fora de mim e por isso sempre vi os pequenos sinais, os detalhes que ninguém mais vê, laivos, leves traços, eflúvios, indícios, alusões, sutilezas, segredos…” (trecho de Toda dor tem fim)

“Não, vomitar agora, não! Eu prometo que se eu escapar desta eu nunca mais bebo, eu me conformo com minha vida, não penso mais em plástica, envelheço numa boa, eu troco este carrão por um fusca velho e dou o dinheiro pros pobres, vou ser voluntária no hospital do câncer, vou visitar a vovó todo dia, eu juro, meu Deus, me salva que eu tiro aquele Buda do meu altarzinho, está me ouvindo?, quem está me ouvindo?, Buda?, se você me salvar eu tiro a Nossa Senhora Aparecida, viu? Está me ouvindo, Nossa Senhora?, Iemanjá?, eu jogo aqueles duendes todos no lixo…” (trecho de É do cinema americano)

“Aurélia sabe apenas que este ano Rita é o primeiro destaque da escola, vai passar logo depois da comissão de frente, lá embaixo, no asfalto, a fantasia de Noiva da Noite, um esplendor que só mesmo o Alemão pode pagar. É hoje o desfile, o morro ferve, Aurélia pregou a última pluma na última fantasia minutos antes do sol nascer e correu pra pedra lá no alto, lá ficou todo o dia que não foi pra ela mais do que um momento, o longo e único momento da espera entre a partida e a volta, momento que terminou de repente, ao fim da tarde, quando viu entrar o navio na baía e soube que Orestes voltava nele, que não voltava para ela, que vinha apenas para a Noiva da Noite…” (trecho de Melodrama ou A Noiva da Noite)

Éramos, somos e seremos seis

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