MONTE DE LEITURAS: blog do Alfredo Monte

08/06/2011

Ripley no cinema: solar e lunar, mas qual o de Patricia Highsmith?

(resenha publicada originalmente em A TRIBUNA de Santos, em 21 de março de 2000)

  Uma das surpresas boas dos últimos tempos no cinema foi certamente O TALENTOSO RIPLEY. O inteligente e climático filme de Anthony Minghella é, como se sabe, adaptado de uma obra de Patricia Highsmith (The Talented Mr. Ripley, 1956), traduzida por Aulyde Soares Rodrigues com o título O SOL POR TESTEMUNHA por causa da versão cinemagráfica anterior, realizada por René Clement.

    Quando apareceu na metade da década de 50, The Talented Mr. Ripley vinha sacudir a moral do romance de crime: não só tinha como herói um assassino, mas também o fazia matar por desejo de possuir coisas que lhe agradavam, e ainda por cima não era punido no final.

   Alguns críticos (que parecem não ter lido o romance) afirmam que Minghella e seu astro Matt Damon “traíram” o universo de Highsmith, introduzindo sentimentos de culpa e ansiedade na composição de Ripley, que destoam da amoralidade e do dandismo do personagem original.

    Que fique claro: estamos falando do romance de Patricia Highsmith e não do filme O sol por testemunha, que ainda é a referência de muita gente para julgar a versão de Minghella. Há muita culpa e ansiedade em The Talented Mr. Ripley.

    Recapitulemos a história: Tom Ripley é um ambicioso vigaristazinho de Boston que, após um período obscuro em Nova Iorque, tem a sorte de ser enviado à Europa pelo empresário Herbert Greenleaf para convencer seu filho boêmio a voltar para os EUA. Na Itália, Ripley é envolvido pelo estilo de vida de Dickie,o filho de Greenleaf. Encontra seu ideal de existência, seu ideal de “qualidade de vida”, termo tão usado hoje em dia.

    Por sua vez, Dickie (na versão de Minghella vivido pelo maneiroso Jude Law, um ator que pode se tornar muito bom ou péssimo, dependendo de como vai desenvolver sua carreira; na versão de Clement, o papel é do maravilhoso Maurice Ronet)  parece totalmente envolvido por seu novo amigo. Porém, caprichoso e arrogante (embora entrem outros elementos psicossexuais, para utilizar um termo horrível, mais complexos nessa “ligação perigosa”), de repente cansa-se de Ripley e parece querer se livrar dele. Ripley, então, o mata e assume sua identidade. E terá de cometer mais um crime, depois, para conseguir manter a farsa.

   Quando Dickie passa a ser suspeito de assassinato, Ripley reassume a contragosto a sua própria identidade e, no final, fica com os bens do “amigo”. Enquanto isso, a trama nos levou para várias cidades da Itália (Mongibello, Roma, Nápoles, Veneza), para Paris e para a Riviera Francesa. E termina (se é que se pode falar assim, com um final “em aberto”, que abriu brecha para várias continuações) na Grécia.

    Há muitos aspectos apaixonantes em The Talented Mr. Ripley: por exemplo, sua impiedosa descrição dos norte-americanos, ou a maneira como o dinheiro (no sentido corriqueiro mesmo, de despesas) domina a narrativa, de uma maneira quase sufocante. Mas, por ora, é interessante limitar-se à psicologia de Tom Ripley, para o meu leitor ter uma idéia de como é brilhante o desempenho de Matt Damon no filme (assim como Tobey Maguire, de Regras da Vida, ele foi injustiçado nas indicações para melhor ator). Tirando a altura inadequada (Ripley tem 1,90), Damon consegue nos transmitir todos os matizes de Ripley que ficaram ofuscados pelo fato de sempre nos lembrarmos do inesquecível e solar Alain Delon de O sol por testemunha (um ótimo filme, mas em se tratando da densidade da história, eu considero o de Minghella bem melhor).

    Ripley é movido por um enorme complexo de inferioridade: ele não se sente “ninguém” (sua tia Dottie, que o criou, contribuiu para isso) e, portanto, não tem dificuldade em se passar “por alguém” para conseguir as coisas que deseja. É facilmente dominado pelos outros, pois deseja agradar, é tímido, extremamente suscetível e rancoroso.

    É fascinante ver, ao longo da trama, como ele reluta em tornar-se novamente Ripley, após ter passado um período “sendo” Dickie Greenleaf, e depois, aos poucos, começa a adquirir uma maior segurança de personalidade, um gosto próprio, uma verdadeira auto-estima (baseada na “liberdade” que ganhou com o dinheiro de Dickie: é o momento em que decide visitar a Grécia, “como ele mesmo”, e não se sente mais frustrado por isso. Essa é a grande transformação narrada em The Talented Mr. Ripley).

   Por outro lado, a “liberdade” não o livra da ansiedade, muito pelo contrário. E mais ainda, não o liberta do sentimento de vergonha e culpa que sempre aflora quando insinuam sua homossexualidade (também tia Dottie contribuiu para isso). Quem acha que isso foi invenção do filme e de Anthony Minghella, é só ler o livro. Também não é invenção do filme o sentimento de exclusão experimentado pelo personagem, que o torna um pouco irmão dos personagens de Truman Capote: “Estava só e o jogo que jogava era um passatempo solitário” (isso está na página 163 da edição da Nova Fronteira). Sobre as outras características de Ripley é só ir colhendo exemplos ao acaso: “Tom usava chapéu, para esconder os cabelos louros, uma capa de chuva nova, e no rosto a expressão tímida, quase assustada, de Tom Ripley”; “Detestava tornar-se Tom Ripley outra vez, odiava a idéia de ser um joão-ninguém, a idéia de adotar seus hábitos novamente e a sensação de que as pessoas o desprezavam, que ele as aborrecia… odiava ter de voltar a si mesmo, como detestaria vestir roupas velhas, que nunca tinham sido boas, nem mesmo quando novas”.

    Quando vai se apresentar à polícia: “Estava triste. Não sentia medo, mas sentia que se identificar como Thomas Phelps Ripley ia ser uma das coisas mais tristes da sua vida”.

    E, para concluir, se alguém ainda tem dúvidas: “Estava prestes a ir à Grécia, ver as ilhas antigas e heróicas, como o humilde Tom Ripley, tímido e dócil… Era uma situação intolerável. Resolveu, em Veneza, que sua viagem à Grécia seria heróica. Veria as ilhas, surgindo do mar pela primeira vez para ele como um indivíduo esperto, livre e corajoso, e não como um tímido joão-ninguém de Boston”.

02/06/2011

As passageiras do coche

Filed under: antologia — alfredomonte @ 0:01
Tags: ,

Acordei Cedo – Apanhei meu Cão-

E visitamos o Mar –

As Sereias no Porão

Vieram todas olhar paa mim –

As Fragatas – no Piso Superior-

Estenderam Mãos de Corda –

Presumindo-me um Camundongo –

Encalhado – ali nas Areias-

Mas  Homem algum aproximou-se  – até que o Mar

Alcançou meu sapato-

E alcançou meu  Avental – e meu Cinto –

E alcançou meu Corpete – também-

E fez como se fosse me engolfar –

Como gota de rocio

Sobre um Dente-de-leão –

Então – Recuei – também-

E Ele – Ele seguia – apertando o cerco –

Calcanhar  Prateado contra

Meu Tornozelo –  E então meus Sapatos

Já transbordavam de Pérolas –

Então alcançamos Terra Firme –

Onde amigo conhecido não era visto –

E com cortesia – com um Poderoso Olhar –

Para mim – O Mar recuou

****

“Satisfação – é o Agente

Da Saciedade –

Falta- um tranqüilo Comissário

Da Infinitude.

Possuir já é após o instante

Da fruição da Alegria –

Imortalidade contente

Que Anomalia!

****

Porque não pude parar p´ra Morte –

Ela parou p´ra mim, bondosamente–

No coche só cabíamos as duas-

E a Imortalidade.

Viagem lenta- Ela não tinha pressa-

E eu já pusera de lado

Meu trabalho e meu lazer,

P´ra seu exclusivo agrado-

Passamos a escol, na qual Crianças-

Brincavam de luta- no Ringue –

Passamos os Campos do Grão Pasmado-

Passamos pelo Sol Poente-

Ou melhor – ele passou por  Nós-

O Sereno baixou gélido –

Era de Gaze fina minha Túnica –

Minha Capa- apenas Tule –

Paramos numa Casa que se assemelhava

A um intumescido Torrão –

O Telhado mal se via –

A Cornija – rente ao Chão –

Desde então – faz Séculos- mas em verdade

Parece menos que o Dia

Em que, pelas Frontes dos Cavalos,

Que rumavam para a Eternidade –

****

“Vou contar a você como é que o Sol nasceu –

De repente uma fita apareceu –

Campanários nadaram em Ametista –

Notícias correram como Esquilos –

Colinas desataram seus Toucados –

Os Passarinhos -romperam em trinados-

Então disse baixinho pra mim mesma –

“Deve ter sido o Sol”!

Como ele se pôs – não sei dizer-

No céu um torniquete avermelhado

Meninas e Meninos de amarelo

Pulavam por ali em atropelo –

Na pressa de alcançar o outro lado –

Quando um clérigo de hábito cinzento –

Fez o gradil da noite subir manso –

E dispersou o bando –

****

Senti na mente esta rasgadura –

> Como se o cérebro se cindisse –

> Tento acertar costura com costura –

> Mas nada há que as fixe.

>

> O pensamento atrás com o adiante

> Em ajuntá-los me desvelo –

> Mas a seqüência se esfia sem que a alcance –

> tal qual novelos- sobre o Chão.

*****

 

01/06/2011

Destaque do blog: UMA CASA NA ESCURIDÃO, de José Luís Peixoto

“hoje para sempre. Não há nenhuma diferença entre aquilo que aconteceu mesmo e aquilo que fui distorcendo com a imaginação, repetidamente, repetidamente, ao longo dos anos. Não há nenhuma diferença entre as imagens baças que lembro e as palavras cruas, cruéis, que acredito que lembro, mas que são apenas reflexos construídos pela culpa.  O tempo, conforme um muro, uma torre, qualquer construção, faz com que deixe de haver diferenças entre a verdade e a mentira. O tempo mistura a verdade com a mentira. Aquilo que aconteceu mistura-se com aquilo que eu quero que tenha acontecido e com aquilo que me contaram que aconteceu. A minha memória não é minha. A minha memória sou eu distorcido pelo tempo e misturado comigo próprio: com o meu medo, com a minha culpa, com o meu arrependimento.”

(José Luis Peixoto, Cemitério de pianos, 2006)

“Há um certo pressentimento que grandes sacos de plásticos  pretos vêm a caminho, muitos poetas ainda lêem poemas com uma voz doce, mas a alguns destes já foram arrancadas as pernas. A existência, caro Joseph Walser, começa a deixar de existir… O círculo aperta-se em direcção ao centro até ficar reduzido a um ponto. Amigo Walser, não interprete o que digo como uma lição de geometria fútil, o que está a acontecer não ficará apenas registrado nos livros, em páginas bem documentadas com fotografias amplas; o que está a acontecer ficará também inscrito nos sobreviventes, porque há sempre sobreviventes, Walser, e é nestes, por mais espantoso que possa parecer, que a morte se torna mais evidente…”

                (Gonçalo M. Tavares, A máquina de Joseph Walser, 2004)

O moço das fotos acima, que parece tão metrossexual quanto o jogador Cristiano Ronaldo e é tão craque quanto (ou mais, já que até agora não deu vexame como seu conterrâneo na Copa)  em sua área, é o escritor português José Luís Peixoto.

Ele ficou  conhecido aqui no Brasil com um de seus trabalhos mais recentes, o deslumbrante Cemitério de pianos (a Agir lançara um romance dele, em 2005, Nenhum olhar, mas sem maior repercussão). Por que um adjetivo tão extremado? Porque sempre é incrível o que um grande autor pode fazer com temas batidos, no caso uma história familiar atravessando gerações. Quem não viu ou leu milhares de histórias familiares atravessando gerações? No entanto, tudo parece novo e recém-criado (como acontece em Á árvore do homem, de Patrick White, para mim o paradigma desse tipo de romance), recém-saído do éden, em Cemitério de pianos, as desavenças entre pais e filhos, maridos e esposas, a desagregação familiar (numa determinada passagem, a família vai a um piquenique e lemos: “Havia um instante em que, ao mesmo tempo, dávamos valor a estarmos juntos”). Os incidentes mais banais (um rapaz hesitando em tirar a moça por quem sente uma atração incrível, num salão, porque não sabe dançar, e por isso bebe para ganhar coragem) transformam-se em momentos mágicos.

    Uma casa na escuridão mostra que já no início deste nosso século (o romance foi publicado em Portugal em 2002), Peixoto era um talento formidável e original.

Temos um país imaginário, onde o narrador vive numa casa coberta de hera, ao pé de ma montanha, e povoada de gatos. Há escravas e senhores.  Ele é um dos senhores, um escritor que descobre dentro da própria escuridão a amada, uma mulher maravilhosa,  que vive nele através das palavras que escreve todos os dias.  De quando em quando, ele pega o carro, segue a auto-estrada e entra na cidade para visitar o seu editor no presídio, que, para opróbrio geral, recusou-se a publicar autores novos (um detalhe delicioso) e por isso está cumprindo uma longa pena até organizar um motim, no qual é morto.

Um antigo amigo do narrador, o príncipe de calicatri, que viajou pré-adolescente para conhecer todos os lugares do mundo, retorna. Pouco depois, o país sofre a invasão de um povo que só se expressa por vogais, cujos soldados utilizam armaduras de ferro e espadas, com as quais mutilam todos que encontram, inclusive o narrador (cortam-lhe as pernas e os braços) e o príncipe de calicatri (tiram-lhe o coração): “O príncipe de calicatri, sem coração, já não sabia a resposta a todas as perguntas do mundo, mas sabia que eu sofria e sabia que eu queria ver aquela que tinha desaparecido dentro de mim. Eu e ele éramos amigos para sempre. O coração do príncipe de calicatri tinha dentro de si as respostas mais importantes, as conclusões. Sem coração, o príncipe de calicatri sabia apenas os pormenores, os factos. Sabia as histórias de países distantes. Mas tinham-lhe arrancado do peito, tinham abandonado mortas e secas, entre ervas, as conclusões que se tiram dos factos, as conclusões que se tiram das histórias de países distantes. O príncipe de calicatri sabia coisas, mas tinha perdido a sabedoria… O príncipe de calicatri já não sabia o que era exactamente o amor que eu sentia, sabia como eu sentia, mas já não sabia aquilo que eu sentia…”

Os invasores se apossam da casa, após massacrar as centenas de gatos e os antigos moradores são tolerados ali (junto com outros mutilados, que viraram rebotalhos humanos), vivendo num quartinho, servindo aos novos amos de alguma forma, e todos meio que amparados pela escrava Miriam, que diariamente é estuprada por todos os soldados, pois as mulheres estrangeiras são esposas do líder.

Para desespero do narrador, inclusive como conseqüência da sua impotência para escrever, dada a sua condição física, a mulher que surgiu dentro dele desaparece e ele é o primeiro a exibir os sintomas de uma Peste que irá apodrecendo todos os corpos. Isso causa a evasão dos invasores, e aos poucos todos os que sobreviveram vão deixando a casa. Só resta o narrador, que apodrece numa cama…

      Uma casa na escuridão está longe de ser o meu tipo de livro. Se alguém me contasse o “enredo” eu jamais teria vontade de iniciar a leitura. Se fosse outro autor, provavelmente teria suspendido a leitura sem hesitação. Todavia, o estilo de Peixoto é tão próximo da genialidade, ele é um escritor tão admirável e encontrou uma tal qualidade poética (e não estou falando em prosa poética) no seu dizer que só se pode tentar uma definição aproximativa afirmando-se que ele é uma espécie de mistura muito especial de fabulador e poeta, o cruzamento inaudito de Italo Calvino com Fernando Pessoa, com aquele “quê” masoquista que permeia o imaginário de J.M. Coetzee: “Às vezes, o príncipe de calicatri aproximava-se de mim e dizia eu acho que estou a conhecer o ninguém [um sujeito a quem arrancaram a língua, os olhos e as orelhas e é chamado assim porque não se o conhece], o seu rosto é parecido com o de um homem que encontrei a vender castanhas numa estação  de comboios de um país atravessado por comboios, numa estação onde ninguém saía, num país onde ninguém parava porque o país era apenas composto por terra e linhas de comboios, um homem que vivia sozinho num país de comboios, a vender castanhas numa estação onde ninguém saía; outras vezes dizia, acho que estou a conhecer o ninguém, o seu rosto é parecido com o de um homem que encontrei na praça de uma cidade, num país onde todas as pessoas que não eram daquela cidade se tinham esquecido daquela cidade, num país de quem todas as pessoas que não eram daquele país se tinham esquecido daquele país; outras vezes dizia acho que estou a conhecer o ninguém, o seu rosto é  parecido com o de um homem que encontrei numa sala a falar com o seu filho e dizia-lhe não vá correr mundo, fique comigo, fique com a sua mãe, era uma sala grande dentro de uma casa grande dentro de um pequeno país junto ao oceano. O príncipe de calicatri conhecia muitos países distantes. Ninguém conhecia o ninguém. Eu, às vezes, achava que o ninguém era a solidão. O ninguém era o abandono. O seu corpo sem vontade, cego, surdo, mudo, parecia uma lembrança da solidão e do abandono. Como se nós, mutilados, precisássemos de saber constantemente que era possível perder sempre mais…”

Alias, diga-se de passagem, o que é o imaginário desse rapaz (na época com 28 anos e agora com 36)? Dá até medo pensar no que se passa na mente de José Luís Peixoto, com o seu pendor para o necrófilo e o decadente. Mesmo assim, ele escreve como um príncipe (já que estamos falando num livro onde os personagens têm distinções nobiliárquicas: príncipes, viscondes), com frases que já nasceram com a vocação da perfeição (e para serem copiadas à parte e citadas)  e não vejo outro candidato no cenário do seu país para ser a grande voz literária pós-Saramago e pós-Lobo Antunes.

Mesmo quando Uma casa na escuridão perde sua alta voltagem poética e ameaça resvalar para o piegas, o brega, o quase-kitsch[1], como sói acontecer num romance de 300 páginas, e com o tipo de história que ele construiu (com mulheres amadas vislumbradas no âmago do ser etc…), tudo se salva pelo talento épico que o rapaz tem também de sobra.

José Luís Peixoto construiu um mundo perfeitamente coeso, com todos os detalhes controlados de tal maneira, que quando lemos sentimos que o país imaginário onde escravas, armaduras, espadas, gente mutilada, convivem com telefones, auto-estradas e indústria editorial, se ergue em pé, sólido e firme. O clima é de pesadelo, mas a narrativa é de algo vivido na carne, no cotidiano. E talvez esse seja o lado mais inquietante desse livro belíssimo e terrível: a sensação de que tudo ali é crível.

(este texto foi publicado de forma mais condensada em A TRIBUNA de Santos, em 15 de fevereiro de 2011)


[1] Isso acontece em Cemitério de pianos também. Virtuose como é, Peixoto não desdenha em se exibir, em fazer malabarismos técnicos inúteis e cafonas:  “Puxou a Maria pelo. Pulso e levou-a pelo corredor e entraram no quarto onde dormiam todas. As noites e apontou. Para a estante cheia de romances. De amor que a Maria. Guardava desde menina…”

« Página anterior

Blog no WordPress.com.