BLOG DO ALFREDO MONTE

RAPIDINHAS DO ALFREDO (atualizadas em 19.11.09)

19.11.09- Em homenagem aos dez anos da morte de Plínio Marcos, reproduzo aqui uma resenha publicada em 8 de setembro de 2007, em “A Tribuna”, quando estreou o filme Querô (aliás, muito competente):

A POBREZA E A EXLUSÃO TORNAM A TERRA PLANA; O MUNDO TEM FIM, ADIANTE É O MAR TENEBROSO

“Eu nunca fui nada. Nem tem jeito de ser nada. Mas, porra, eu não quero morrer. Não quero. O Zulu não falava que queria morrer. Mas eu sei que ele não queria. Eu estava sabendo. Eu via. Não é que eu via, manja? Estava escuro paca. A gente não se via. Eu, no começo, só enxergava o revólver que estava na mão do filho da puta. Essa merda aqui. Esse trinta e oitão mesmo. Mas quando ele passou pra minha mão, eu nem via mais a draga. Via os olhos do crioulo. Via o medo dele… Eu vi. Ele estava encagaçado. Eu sei. Eu sei de tudo. Eu sou o Querô! Porra, eu sou o Querô! … Era eu ou ele. E antes ele do que eu…Os meus olhos eram duas brasas. E ele via. Via bem o gosto que eu tinha na boca… Via bem. Via o cheiro que eu tinha no nariz. O fedor escroto. O fedor fodido do perfume das putas da Xavier… O crioulo via. Via. E eu via. Via a merda toda. Aquela bosta fedida era minha vida. A minha própria vida. E eu apertei. Apertei pra valer… Porque era a minha vida que valia ali. A minha bronca fodida de tudo. Desde que eu nasci. Desde esse apelido porco que carrego.”

     Três décadas depois da sua publicação original (1976) Querô é uma eficaz marreta literária na demolição de algumas monolíticas ilusões. Uma delas, típica da mentalidade proto-fascista de parte da nossa sociedade, tem como base o ressentimento com os “direitos humanos” (é, fala-se assim, como se tratassem de uma entidade encarnada) e formas de proteção social (a lei do adolescente e do menor, por exemplo), responsáveis por um comportamento “folgado” da banda excluída; outra, a de que teria havido uma época em que a violência no país não era “tanta” (nem falemos aqui dos saudosos da ditadura militar). Quando a violência não foi “tanta” (e tantalizante) no Brasil? Em que momento, que idade de ouro, não tivemos uma realidade brutal de exploração e de exclusão? Policiais corruptos, truculentos, moleques quase facínoras, pés de chinelo sem noção de cidadania, desamparados, carne para cemitério, serviços sociais precários, o romance de Plínio Marcos é, tanto quarto curto, eloqüente nesse sentido. Hoje, o que poderia diferenciar os Querôs de seus predecessores é haver certos estatutos que os protegeriam mais, se corretamente aplicados e cobrados pela sociedade civil. Fantasma de uma época em que sequer havia isso, a voz de Querô, ao contar sua trajetória, vem nos assombrar.

    Outra ilusão, que parece antagônica, mas creio ser complementar, é o sentimentalismo em torno da garotada abandonada à sua própria sorte, um discurso bom mocista pífio e falso. Pela minha própria experiência, posso dizer que não há nada a resgatar em certos casos, eles só fingem que aceitam todo o blá blá blá com que os cercamos, e no fundo acham tudo uma babaquice, pois é outro o código que os rege, é o código da barbárie a que foram relegados, não-cidadãos que são. E há um ponto sem retorno, a filosofia definida por Querô: “Nas quebradas do mundaréu, na hora do ‘vamos ver’ ‘é cada um, cada um’”. E isso, caro leitor, por incrível que pareça, é filosofia profunda. Para alterar suas premissas, seria preciso haver outro molde do humano.

    No mais, o relato do filho da prostituta que se mata ao beber querosene, faz um acachapante retrato de uma parte de Santos, entre as décadas de 60 e 70: a área do mercado, do cais, com seus puteiros, inferninhos (ainda então chamados de cabarés), bares, bibocas, pensões ordinárias, cortiços, as barcas para Itapema. E nada desenha melhor a mente e a experiência de Querô do que essa geografia. É a Santos vivida na opressão da miséria e da ignorância, não muito diferente de qualquer cafundó nordestino. Os coronéis só mudam de domicílio, nunca de pele, e os filhos deles bem podem ser promotores armados, anunciando a tiros seus privilégios escusos.

    Para Querô, a terra é plana, uma linha nítida demarca o limite: nada de cidade balneária, nada das praias, dos célebres jardins, dos canais, do Gonzaga. Mais do que o mercado municipal, as docas, as bocas, é a terra da exclusão: “O Itapema eu conhecia bem. Quando estava com o Tainha, a gente sempre atravessava pra esse lado quando batia sujeira no cais do porto… Quase de noitinha, quando eu já ia desanimando, um catraieiro conhecido atracou. Arrisquei. Falei com ele. Deu certo. O homem me atravessou de graça pro mercado. Me senti livre. Estava com fome, com frio, com sono, quase nu. Mas estava em Santos. No mercado onde me criei. Estava, agora sim, em casa.”

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Serviço: Querô: uma reportagem maldita, de Plínio Marcos. Publisher Brasil. 94 págs. R$ 20

18.11.09-

 

Li no domingo um artigo de Patricia Cohen, que saiu no The New York Times,  e foi reproduzido no Estadão (Caderno 2, 15.11.09), no qual ela comenta mais um livro anti-Heidegger, publicado na França em 2005: Heidegger-Introdução do nazismo na filosofia, de Emmanuel Faye. A preocupação levantada pelo texto é de que haja uma disseminação de idéias nazistas que embasam a filosofia heideggeriana. O texto termina assim: “Na sua opinião [ de Faye], ensinar as idéias de Heidegger sem revelar suas profundas simpatias pelo nazismo é como levar uma criança a um espetáculo de fogos de artifício sem alertá-la de que um rojão também pode explodir no rosto de alguém”.

      A minha pergunta é: se alguém está gabaritado não só para ensinar, como também estudar, as idéias de Heidegger, dá para fazer tal analogia? Uma pessoa que enfrente tal desafio cognitivo (porque, convenhamos, e aqui escreve alguém que lutou com a primeira parte de Ser e Tempo), e consegue enfrentar essa linguagem atordoante, pode não ter consciência dos seus supostos perigos e conseguir desemaranhar idéias discutíveis e até temerárias das idéias válidas e seminais? Um Benedito Nunes (a quem devo quase tudo o que sei de Heidegger) levaria realmente alguém a um espetáculo de fogos de artifício e não chamaria atenção para os eventuais rojões? Há leitura isenta de Heidegger? Há leitura que não discrimine na sua filosofia o que interessa a quem a está estudando e interpretando?

      Por isso, acho uma bobagem esse tipo de alarmismo pseudo-intelectual. Que há idéias fascistas, nazistas por aí, isso há. Mas é uma estupidez confundir a especulação filosófica com uma espécie de transmissão naîve de ideologias “embutidas” nos conceitos filosóficos de cada autor.

    Quem está na chuva é pra se molhar. O nazista que alguém encontre em si não precisa de um Heidegger para legitimá-lo.

08.11.09: 

acusados

Há mais ou menos 20 anos, o filme Acusados mostrava uma promotora levando aos tribunais os espectadores de um estupro. Por quê? Na verdade, eles incitaram o crime. Complicando as coisas, a moça era vulgar, bêbada, oferecida, isto é, a vítima parecia culpada do seu infortúnio.
Não era grande coisa cinematograficamente, mas era representante daquele “avanço” de percepção que é uma qualidade subestimada,muitas vezes, da indústria cultural. O fato de a heroína ser ordinária, fácil, disfuncional, e mesmo assim ter os seus direitos garantidos, e o público se identificar com ela,  é algo que me vem à mente agora quando aconteceu o espantoso episódio da UNIBAN de São Bernardo do Campos. Ainda na época de Acusados, a PM representava para nós a repressão, os estudantes é que representavam as forças saudáveis da sociedade que permitem avanços de percepção como o do filme (independentemente de sua mediocridade como obra cinematográfica). Hoje a PM parece representar as forças da razão contra a total intolerância, boçalidade e reacionarismo de, pasme-se, estudantes universitários.Que retrocesso, que coisa incrível de se verificar em 2009: uma turba xingando e apupando uma pessoa que incomoda, que instiga, que provoca… E uma turba que se arroga o direito de ditar quem deve ou não permanecer num espaço social, que por definição é de todos.
Há exemplos mais graves ainda, mais preocupantes: eu detesto novela de televisão. Mas nos últimos tempos fico cada vez mais abismado com os espectadores de telenovelas. Nada contra o folhetim, o maniqueísmo entre mocinhos e vilões, nada disso, essas fórmulas sempre vão (e devem) existir. Minha impaciência com as telenovelas vem da sua chatice, da mesmice do seu ritmo, dos fatos já conhecidos e divulgados de antemão. Porém, há uma rastaquerice dos espectadores de novela que é um fenômeno alarmante: no final de Caminho das Índias, as pessoas não queriam ver a vilã (Letícia Sabatella) ser derrotada, como demanda o folhetim. Eu observava as pessoas dizendo o seguinte: não vou perder de jeito nenhum o capítulo da novela hoje porque a fulana (a personagem de Sabatella) vai apanhar. Onde chegamos? Agora as pessoas assistem ao clímax das novelas para ver alguém apanhar. Bater no vilão, dar bofetadas e mais bofetadas, é obrigatório, não basta ele ser vencido, desmascarado, o bem vencer o mal.
Nâo é muito rastaqüera esse modo de vivenciar o ficcional? Não é um sintoma de uma impotência tão avassaladora diante da falência social do nosso sistema social que as pessoas acabem achando que esse baixo nível é uma resolução de problemas, que esse é um modo de solucionar conflitos e folhetins?
UNIBAN e bifa na vilã de novela: que saudade de “Acusados”…

28.10.09

“(10)Olhe , disse Yahweh, o homem vê como um de nós, conhecendo o bem e o mal. E agora ele pode, sem ver, estender sua mão, tomar também a árvore da vida, comer e viver para sempre.
Agora Yahwew o tirou do Jardim do Éden, para trabalhar -no solo de onde foi tirado.
O homem foi banido; agora, estabeleceu lá – ao oriente do Éden- as esfinges aladas e a espada tremulante, reluzindo as duas lâminas, para guardar o caminho da Árvore da Vida.
(11) Então o homem conheceu Hava, sua mulher, na carne; ela concebeu Caim. Como Yahweh, eu criei um homem, disse ela quando ele nasceu. concebeu de novo, nasceu Abel… Resultou que Abel foi pastor de ovelhas. Caim, lavrador.
(12) Os dias tornaram-se passado; um dia, Caim trouxe oferenda a Yahweh, do fruto da terra. Abel também trouxe uma oferenda do mais seleto do seu rebanho, de suas partes gordas, e Yahweh comoveu-se com Abel e seu holocausto. Mas com Caim e seu holocausto não se comoveu. Isso perturbou Caim, seu semblante descaiu.
O que tanto te perturba? perguntou Yahweh a Caim. Por que teu semblante está tão descaído? Vê: se concebes o bem, é comovente; se não, o pecado é uma porta aberta, um demônio de tocaia. Subirá em ti, embora estejas acima dele.
(13) Caim falava a seu irmão Abel, então aconteceu: lá no campo, Caim voltou-se contra seu irmão, matando-o.
Então Yahweh disse a Caim: Onde está teu irmão Abel? Não sabia que era eu a guarda de meu irmão.
(14) Que fizeste?, disse ele. Uma voz- o sangue do teu irmão- clama por mim desde a terra. Que então valha por maldição: o solo amarga-se de ti. Sangue de teu irmão, engasga-lhe a garganta.
Podes trabalhar o solo, mas ele não há de se render a ti…Não terás abrigo sobre a terra, soprado pelo vento.
Minha sentença é mais forte que minha vida
, disse Caim a Yahweh: Olha: hoje me expulsaste da face daterra -de mim tua face voltaste. Volto a lugar nenhum, sem abrigo como o vento que sopra. Todos que me encontrarem poderão me matar.
Por minha palavra saberão
, disse Yahweh, quem matar Caim será abatido pela raiz sete vezes mais fundo. Então Yahweh tocou Caim: um aviso para não matá-lo, a todos que o encontrassem.
Caim voltou as costas à presença de Yahweh, estabeleceu-se numa terra soprada pelo vento, a leste do Éden.
(15) Então Caim conheceu sua mulher na carne, ela concebeu, nasceu Henoc. Os dias tornaram-se passado: ele fundo uma cidade, chamando-a pelo nome de seu filho, Henoc.
Então Irad nasceu a Henoc; Irad gerou Maviael; Maviael gerou Matusael; e Matusael, Lamec.
(16) Lamec cresceu e desposou para si duas mulheres; uma chamava-se Ada; a segunda, Sela.
Ada deu à luz Jobal, que foi pai dos que vivem sob tenda, guardas de rebanhos.
Jubal foi o nome de seu irmão, pai dos músicos, mestres da flauta e da lira…
Ouvi minha voz, disse Lamec a suas esposas, a Ada e Sela, ouvi que se canta às esposas de Lamec: Um homem matei porque me feriu; um menino, também, por um soco- tão somente. Se a justiça de Caim corta sete vezes fundo, por Lamec ela chega a setenta e sete.
(17) Então Adão ainda conheceu sua mulher na carne; ela pariu um filho, chamou-o Set – Deus plantou em mim outra semente, que cresce além de Abel, que Caim abateu… Então Set cresceu para gerar um filho, de nome Enós… E nesse tempo começou a terna invocação do nome de Yahweh.
(18) Então olha, desde seu primeiro passo o homem se espalhou por sobre a face da terra. Ele gerou muitas filhas. Os filhos dos céus desceram para ver as filhas do homem, atentos a seu encanto, conhecendo a quem quer que os agradasse para esposa.
(19) Meu espírito não guardará o homem por tanto tempo, disse Yahweh. Ele é matéria mortal. Então seus dias estavam contados: até cento e vinte anos.
(20) Agora a raça de gigantes: eles estavam na terra desde o tempo em que os filhos dos céus penetravam nos quartos das filhas dos homens. Figuras heróicas nasceram a eles, homens e mulheres de mítica fama.”

Como pretendo comentar Caim, de Saramago, pensei em transcrever a história original bíblica. Só que geralmente todos têm uma Bíblia, e em qualquer de suas versões, podemos encontrá-la facilmente. Julguei, então, que talvez fosse  mais interessante transcrever a versão da suposta “J”, a autora de certos trechos do Antigo Testamento, os quais Harold Bloom tentou extrair do texto canônico a partir de uma versão de David Rosenberg.
Para Bloom, “J” seria uma das autoras fundamentais da nossa cultura literária. Mas o grande e idiossincrático critico norte-americano  não se detém muito, em seus comentários e análises, na figura de Caim, dando mais destaque à psicologia de Yahweh e a figura-chave de Abraão.
Os interessados encontrarão o texto transcrito em “O Livro de J”, de Harold Bloom (a partir da versão de David Rosenberg). Tradução (ótima; ao fim e ao cabo, ela é a nossa J, pois estamos lendo o texto dela) de Monique Balbuena. Imago, 1992.

livro de J

27.10.09- SARAMAGO & LOBO ANTUNES, nunca SARAMAGO vs. LOBO ANTUNES

Quando fiz minhas apostas para o Nobel e coloquei Antonio Lobo Antunes como um dos três maiores escritores em atividade (ao lado de Don DeLillo & Salman Rushdie), alguns leitores tiraram a conclusão de que eu o preferia a Saramago. Deixem-me esclarecer: essa polarização para mim não existe, é algo do tipo Chico & Caetano, Tolstói & Dostoiévski, Hermann Broch & Robert Musil, Fellini & Visconti.
Se pensarmos na última década, podemos dizer que a criatividade de Lobo Antunes imperou. Em 2004, ele publicou o poderoso “Eu hei-de amar uma pedra”. Já Saramago nunca mais atingiu o nível altíssimo de “Ensaio sobre a Cegueira” (1995), com as possíveis exceções de “Todos os nomes” e “A viagem do elefante”. Mas, se pensarmos que em 2002, ele completou 80 anos, seus livros posteriores não deixam nada a desejar, embora tenham puerilidades evidentes: “Ensaio sobre a lucidez”, “As intermitências da morte”, “A viagem do elefante” e agora “Caim”. Uma produção que não se pode ignorar, ainda que haja vacilos, preguiças e quedas de voltagem, enquanto que Lobo Antunes parece querer dar tudo de si a cada livro que lança, de uma maneira até feroz.
Mas como dizer que ele é “maior” do que Saramago se este tem atrás de si “O ano da morte de Ricardo Reis”, “Ensaio sobre a cegueira”, “O evangelho segundo Jesus Cristo” e “Memorial do Convento”? E tenho de confessar que sou um leitor mais fiel a cada lançamento de Saramago do que do seu desafeto? Dos seus romances após “Memorial do convento” só não li “O homem duplicado”.
Nestes últimos dias enviei a alguns amigos uma engraçadíssima correspondência imaginária entre os dois grandes autores portugueses, que tirei do criativo  www.peterofpan.blogspot.com:
Terça-feira, Outubro 18, 2005
Correspondência Saramago-Lobo Antunes
Caro António Lobo Antunes

Li o seu último romance, que veio a deixar-me perplexo e você sabe bem porquê, visto a quantidade de páginas do volume ser tremenda. Dir-me-á você, Não é nada, consigo escrever coisas maiores ainda, ao que respondo, Tenha tento na pena, pois enquanto uns dispoem de folhas para escrever calhamaços, como você, um pequeno-burguês, outros há que nem papel possuem para limpar o rabo, o que aliás deveria ser feito aos seus escritos.

Cordialmente, José

P.S.: Eu tenho um prémio Nobel e tu não!

*

Caro José Saramago

Eu poderia vir aqui contar-lhe uma história para adormecer, tal qual faço semanalmente nas minhas crónicas para a revista Visão.
Mas não o vou fazer.
(não o quero fazer)
Vossa Excelência não o merece, uma vez que se auto-exilou em Lanzarote. Não teve a infelicidade de viver, como eu, as privações no Ubango, a fome no Condongo ou a guerra no leste do Cachungo.
(se estivesses lá, era bem feito que um preto te metesse uma bala nos cornos)
Pequeno-burguês é Vossa Excelência mais a degenerada da Pilar. Cale-se e ofereça um presente à nação, deixando de publicar livros.
(e artigos, pois também são uma porcaria)

Afectuosamente, António

P.S.: Olha, vai à merda e leva o Nobel contigo.

*

Caro António Lobo Antunes

Vai tu!

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22-10-09:90 ANOS DA MAIOR ESCRITORA

Hoje, 22 de outubro, minha escritora favorita, a que teve mais peso e importância na minha vida, de uma maneira até mais visceral do que Thomas Mann (o maior dos escritores, num sentido estritamente literário) chega aos noventa anos, tendo nascido no Irã (em 1919). quando era a Pérsia, filha de ingleses; depois crescido no Zimbábue, quando era a Rodésia, tão racista quanto a África do Sul; aos 30 anos emigrou para Londres, onde permaneceria, e iniciou sua carreira profissional de escritora. Duas de suas obras-primas estão comemorando “datas redondas” em 2009: há 40 anos lançou A cidade de quatro portas, último e mais extraordinário volume dos cinco que compõem Os filhos da violência; e há 30 anos ela iniciava a série Canopus em argos: arquivos com o ponto mais alto da sua obra, Shikasta. O MUNDO FAZ MAIS SENTIDO COM A PRESENÇA DE DORIS LESSING NELE.

doris_lessing

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