MONTE DE LEITURAS: blog do Alfredo Monte

18/04/2011

“A Escolha de Sofia” e a farpa de gelo no coração do escritor


 

 

 

“… já não era surpresa para mim ser totalmente incapaz de dizer uma oração. Ainda sentia aquele desejo de executar uma ação diária que, durante os anos da minha vida adulta, se tornara tão simples e tão natural quanto uma função biológica, mas que agora parecia tão incapaz de se realizar como um problema de geometria ou qualquer outra ciência misteriosa para além do meu entendimento. Já nem me conseguia lembrar quando fora que a capacidade de rezar me deixara, se havia um mês, se dois, talvez até mais. Talvez me tivesse servido de consolo saber ao menos a razão por que o poder de rezar me abandonava; mas até esse conhecimento me era negado e parecia não haver maneira de pular o abismo que se abrira entre mim e Deus.”

(William Styron, As confissões de Nat Turner)

 

“… naquela enfermaria também me chegou, com a morte de um doente, o fim de um livro que só escreveria seis anos depois… A vítima foi um menino de dez anos… de repente houve uma explosão de atividade, veio um médico correndo, levantaram os biombos em volta da cama, vieram puxando entre rangidos aparelhagem de oxigênio, mas a criança ultrapassara a todos… Ao tempo em que os pais chegaram em casa, receberam o recado que voltassem com urgência. Voltaram e ficaram sentados ao lado do leito e, para tapar o som dos soluços e lágrimas da mãe, todos os meus companheiros de enfermaria puseram os fones nos ouvidos… Todos os meus companheiros, mas não eu. Há uma farpa de gelo no coração do escritor. Escutei e observei. Era algo de que algum dia talvez precisasse…”

(Graham Greene- A sort of life- Quase uma vida)

 

“Porque não há artista que não sinta que à medida que se realiza como artista perde como homem. A arte e a técnica que ele adquire são à custa da vida, a vida que ele vive é apesar da arte… Condenado à solidão, observador lúcido, atento e racional da vida, o artista é um ser que caminha mais rápida e  claramente do que os outros mortais para a morte… um escritor, aquele que carrega a morte nas costas”.

(Autran Dourado, Uma poética de romance: matéria de carpintaria)

 

 

 

VER TAMBÉM NO BLOG:

http://armonte.wordpress.com/2011/06/30/ifigenia-no-deep-south-deitada-na-escuridao-de-william-styron/

http://armonte.wordpress.com/2011/02/24/os-mortos-que-nao-podem-ser-enterrados-duas-resenhas-homenagens/

Escolha de Sofia. Uma expressão já proverbial, simbolizando a decisão entre opções igualmente intoleráveis, aniquiladoras, como é o caso de uma mãe chegando com os dois filhos a Auschwitz, na Segunda Guerra, e, que por veleidade do médico encarregado da seleção de prisioneiros (e que portanto pode exercer o papel de Deus), o qual implica com ela, tem de escolher qual deles será imediatamente levado para as câmaras de gás.

 Resumida, a trama central é mais ou menos assim (permeada pelos volteios no tempo e encaixes narrativos): Sofia é uma polonesa não-judia que, filha de um ideólogo antissemita, é presa pelos alemães por estar carregando carne contrabandeada, e enviada com os filhos para o campo de concentração. Sobrevive à guerra e emigra para os EUA; lá conhece Nathan, um judeu por quem se apaixona e que a ajuda a recuperar a saúde (por exemplo, ela precisa de dentadura, após ter seus dentes estragados pelo escorbuto), mas que tem crises durante as quais, após um grande consumo de drogas, a maltrata e espezinha (acusando-a de infidelidade) abandonando-a (para depois voltar, pedir perdão e reiniciar o ciclo). Mais tarde, ficamos sabendo pelo irmão de Nathan que ele diagnosticado como portador de esquizofrenia paranóica e já passou longos períodos internado. Sofia procura fugir da sua dependência do atormentado amante, acompanhando o narrador da história, Stingo, numa viagem ao Sul; após iniciá-lo sexualmente, o abandona, volta para Nathan, e os dois se matam com cápsulas de cianeto. Ficamos sabendo do passado de Sofia através das confissões contraditórias que faz a Stingo durante o verão no qual os dois e Nathan convivem intensamente.

Eu tinha dezoito anos quando fiz a primeira leitura de A escolha de Sofia. Era então mais novo do que Stingo, que está com 22 anos quando conhece, numa pensão de Brooklyn, em 1947, a mãe que teve de fazer a terrível escolha. Nestes últimos dias, ao reler pela quarta vez o livro, tenho o dobro da idade de Stingo. Ao longo desses anos, a parte do campo de concentração sempre foi a que menos me interessou no romance, e confesso que fiquei chocado comigo mesmo, nesta última releitura, por ter minimizado tanto uma visão tão nítida do inferno em prol dos outros aspectos do livro (talvez como defesa do tanto que esse aspecto foi hipertrofiado na versão cinematográfica, principalmente por causa da interpretação de Meryl Streep, tão fenomenal que quase nos faz esquecer como o filme de Alan J. Pakula é pálido diante do original).

Permitam-me ainda um outro parêntese pessoal, tirado dos anais de 26 anos de envolvimento com Sofia e William Styron (1925-2006): em 1994, apresentei ao meu saudoso orientador João Luiz Lafetá (1946-1996) uma proposta de dissertação de mestrado que incluía (além de obras de Ernesto Sabato e Autran Dourado) o primeiro romance de Styron, Lie down in Darkness (de 1951; aqui no Brasil, recebeu o título de Deitada na escuridão). Pois bem, Lafetá disse ter ficado surpreso, ao ler meus comentários sobre o livro, de saber que o autor norte-americano em seu começo de carreira tivesse maiores ambições literárias, já que tinha achado A escolha de Sofia um dos romances mais apelativos, mais auto-indulgentes, procurando as graças do público, que jamais lera na vida. Devo confessar que, apesar da admiração por Lafetá, esse comentário não mudaria a minha paixão pessoal pelo livro, a ressonância que ele teve na minha própria trajetória, mas ele certamente me perturbou e me motivou a relê-lo na época e procurar ver o que havia de “errado”.

No meu entender, a leitura de Lafetá é que se colocava sob uma ótica “errada”, equivocada.  Ele leu o romance como uma contrafação do Modernismo, como um “romanção”, quando na verdade ele é um dos grandes exemplos da aparente recuperação da narrativa do pós-Modernismo, misturando a “alta” ficção com as técnicas de envolvimento das narrativas mais comerciais de um modo muito sofisticado e complexo, para mim (outros podem ver esse procedimento como discutível e questionável).

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O que sempre me chamou mais a atenção no livro foi a discussão da vocação literária de Stingo, o narrador, o investimento de uma vida na literatura e a constatação de que há territórios inenarráveis. Por isso, sempre achei que ele aproveitava (no sentido dúbio que essa palavra pode adquirir) as experiências de Sofia em Auschwitz (ligadas às demais experiências dolorosas que o romance relata) para uma vasta, quase cósmica, reflexão sobre a luta de Eros e Tânatos no espírito humano, preenchendo a ausência de Deus que Stingo, Sofia e Nat Turner (este último, protagonista de outro romance de Styron, de 1967, porém bastante citado em Sofia) sentem tão intensamente. Abandonados por Deus, vivenciando experiências desagregadoras, todos tendem à destruição e a literatura é o meio de salvação (e se revela bastante precário, como vemos no método caleidoscópico adotado por ele, misturando várias fases da sua vida) para Stingo/Styron, mesmo que ele tenha de vampirizar as desgraças alheias, como a da garota que se suicida em Nova York e que serve como base para seu primeiro romance, e as da própria Sofia. Um Eros que se alimenta vorazmente de Tânatos, numa hybris que será purgada através de uma devastadora depressão (acarretando um bloqueio criativo), como Styron nos relata no autobiográfico Darkness Visible (Perto das Trevas). Complementarmente, há a questão levantada em diversos pontos do romance sobre a coexistência perturbadora de diversas realidades e heranças miasmáticas (“o lento acúmulo de tanta coisa insuportável”, quer sejam o puritanismo e o racismo do Deep South, quer sejam o anti-semitismo e o universo concentracionário) que confere uma dimensão de absurdo à existência, o que pode ser resumido por uma frase do capítulo em que o pai de Stingo (eles são da Virginia) o visita em Nova York: “Meu Deus, pensei, como é possível que o Sul e essa estridência urbana coexistam neste século?”. O arauto do absurdo é o escritor que teima em fazer com que essas realidades diferentes coexistam num todo ordenado e, pior ainda, quer extrair um relato do “reino do inenarrável” (como a experiência em Auschwitz de Sofia), numa espécie de egoísmo autista: “Deus sabe que Sofia já me fizera penetrar fundo no seu passado. Talvez ela achasse que não podia voltar ao presente senão completamente limpa, e que tinha de revelar o que até então escondera e mim e (quem sabe?) até de si mesma”. Mas não será ele quem não pode abdicar de “saber” e que faz de Sofia a vítima propiciatória da ficção, levando-a ao limite?  Afinal, ao longo da sua convivência com ela, não está escrevendo o seu primeiro romance e não lemos uma passagem que pode ser não só a respeito do referido romance, mas também em relação a Sofia, o “relato” que vai extraindo dela: “preocupado com o meu livro e a maneira de terminá-lo”? Veja-se o trecho seguinte: “Contemplava o rosto melancólico e pensativo de Sofia… perplexidade, espanto, terror rememorado, sofrimento revivido, raiva, ódio, perda, amor, resignação, tudo isso estava misturado no rosto, à minha frente… percebi que os fios pendentes da história que ela me contara, e que obviamente estava chegando ao fim, ainda permaneciam por atar. Está aí a “farpa de gelo” que aparece na citação de Graham Greene em epígrafe

 

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Stingo nos faz uma revelação significativa: “em minha carreira de escritor sempre me senti atraído por temas mórbidos, suicídio, estupro, assassinato, vida militar, casamento, escravidão. Mesmo nessa época, eu sabia que meu primeiro livro seria impregnado de uma certa morbidez”. Em Nova York, após angustiar-se durante meses diante da página em branco (“Deus meu, conseguiria eu alguma vez escrever um romance?”), recebe a notícia, através de uma carta do pai, do suicídio de uma paixonite de adolescência, Maria Hunt: “matara-se pulando da janela de um edifício e constatei, com espanto, que isso ocorrera apenas algumas semanas antes, em Manhattan. Mais tarde, fiquei sabendo que ela morava  pertíssimo de mim, na Sixth Avenue. Era um dos sinais de desumana vastidão da cidade, o fato de termos vivido durante meses num bairro tão compacto como Greenwich Village, sem nunca nos termos encontrado”.

A morte de Maria fornece o “estalo” para o romance que ele tanto buscava: “A toda hora me debruçava sobre o recorte de jornal que meu pai me mandara, tomado de excitação pela crescente possibilidade de Maria e sua família servirem de modelos para as personagens de meu romance. A figura desesperada e arruinada de um pai beberrão e mulherengo; a mãe, ligeiramente desequilibrada e ultra-puritana, conhecida nas esferas da alta classe média (freqüentadores do country club e da igreja episcopal) pela sua estóica tolerância à amante do marido, mulher estúpida e arrivista, oriunda do subúrbio e, finalmente, a filha, a pobre e defunta Maria, condenada desde o início a vítima de todos os mal entendidos, ódios mesquinhos e sentimentos de vingança capazes de fazer com que a vida familiar da burguesia fosse a coisa mais parecida que há na terra com o inferno; Deus meus, pensei, era uma maravilha, um presente dos céus!”

 

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 Depois que Sofia relata seu passado, Stingo lhe faz uma proposta (estão ambos fugindo da fúria de Nathan, que suspeita de uma ligação sexual entre eles, ligação a qual se consumará justamente durante a viagem): ir embora de Nova York, estabelecendo-se numa pequena fazenda no Sul que o pai dele herdou, casar. Ele comete o erro de achar que, para ela, a narrativa foi redentora, que para ela tomaria a forma que as coisas tomam para ele: de um livro, que organiza e supera os miasmas da experiência. Ela mesma se ilude por um momento: “Por que não contar a verdade sobre mim mesma? Por que não escrever tudo num livro?… Oh, Stingo, não agüento viver com todas essas coisas!” No final, só a última frase se revela autêntica. O escritor pode destilar o intolerável da existência, pode totalizá-la e até ter a estatura para resgatá-la do “reino do inenarrável”. Mas ele o faz às custas de quem não pode agüentar viver com “todas essas coisas”.

Por isso, às vezes penso que A escolha de Sofia é uma visão apocalíptica da literatura enquanto destino, apesar do seu bonito final esperançoso. O narrador precisa que num certo dia primeiro de abril Sofia faça a sua escolha intolerável e ele tem de ser o demiurgo da teia de circunstâncias que moldam os destinos, já que Deus está ausente do seu universo, embora deixasse a culpa, o peso, a existência sem essência, sem significado (a não ser na narrativa): “e depois houve o primeiro de abril, o dia das brincadeiras de mau gosto… Cada vez que o dia volta, nestas recentes décadas, é a associação da data com Sofia que me faz ficar angustiado, quando exposto a essas inocentes, bobas brincadeirinhas perpetradas pelos meus filhos. O condescendente pater familias, geralmente tão tolerante, fica mal-humorado e anti-social como um urso. Odeio o primeiro de abril como odeio o Deus judaico-cristão.” Na seqüência dessa mesma passagem, ela diz: “Foi esse o dia que marcou o fim da viagem de Sofia”, o que no sentido literal se refere obviamente à chegada dela num daqueles obscenos e tenebrosos trens apinhados de gente ao campo de concentração. Há um sentido muito mais profundo, tanto em termos da vida de Sofia (pois é no fim da viagem, quando ela faz sua escolha, que sua vida adquire o teor de “destino”) quanto em termos ficcionais e literários. Aproveito para lembrar aqui a célebre e paradoxal fórmula do grande crítico húngaro Georg Lukács (muito apreciado pelo referido João Luiz Lafetá), expressa na sua Teoria do Romance, ensaio em que ele destaca o significado que a “forma biográfica” tem para o romance, já que é a “vitória sobre o mau infinito”, uma vez que a trajetória do indivíduo, sua evolução, “continua a ser o fio diretor ao longo do qual o mundo vem enlaçar-se e desenrolar-se em sua totalidade”. A fórmula propriamente dita é: “começou a estrada, a viagem terminou”. Isso quer dizer que o mundo da experiência caótica, a viagem, o vivido, ficaram para trás, o que resta é  desvelar a trilha, o caminho, a forma que essa experiência adquire vista em retrospecto. Sofia tenta, mas é incapaz da primeira parte da fórmula lukácsiana, pois a dor é demais, “não agüento viver com todas essas coisas”, quanto mais destilá-las num todo, numa síntese significante. Cabe a Stingo fazê-lo (e aqui vemos a pertinência das colocações de Autran Dourado numa das epígrafes), e é o seu fardo, contra o qual ele luta ao longo de décadas, e por isso a experiência de contar a escolha de Sofia é um balanço de sua vida enquanto escritor. E é por essa razão, meu caro e inesquecível Lafetá, que nunca pude concordar com a avaliação que você fez de A escolha de Sofia e tenho que apontá-lo como um dos romances supremos.

autor de escolha de sofia

nota- O texto acima foi escrito em 2009 em razão dos 30 anos da publicação original do romance de Styron. Nos últimos meses de 2010, a Geração Editorial publicou uma nova edição da tradução de Vera Neves Pedroso (as anteriores haviam sido pela Record e pelo Círculo do Livro), diga-se de passagem com mais uma capa horrorosa para o livro, que não tem sorte nesse quesito em nosso país.  Publiquei, então, uma versão ligth do que escrevera, em A TRIBUNA de 14 de dezembro:

         Uma obra-prima volta às livrarias

Escolha de Sofia. Uma expressão já proverbial, simbolizando a decisão  entre opções igualmente intoleráveis e aniquiladoras, como  é o caso de uma mãe chegando com os dois filhos a Auschwitz e, que por veleidade de um médico sádico, encarregado da seleção de prisioneiros (e que, portanto, pode exercer o papel de Deus), o qual implica com ela (uma polonesa não-judia),tem de escolher qual deles será levado imediatamente para a câmara de gás.

A escolha de Sofia. O romance já clássico de William Styron e que apesar de estar há um bom tempo longe das livrarias, manteve intacta a sua popularidade, ganha agora nova edição pela Geração Editorial. Resumida, a trama central é mais ou menos assim (permeada pelos volteios no tempo e encaixes narrativos): Sofia sobrevive à guerra e emigra para os EUA; lá conhece Nathan, um judeu por quem se apaixona e que a ajuda a recuperar a saúde (por exemplo, ela precisa de dentadura, após ter seus dentes estragados pelo escorbuto), mas que tem crises durante as quais, após um grande consumo de drogas, a maltrata e espezinha (acusando-a de infidelidade e colaboracionismo com os nazistas) abandonando-a , para depois voltar, pedir perdão e reiniciar o ciclo. Mais tarde, ficamos sabendo  que ele foi diagnosticado como portador de esquizofrenia paranóica e já passou longos períodos internado. Sofia procura fugir da sua dependência do atormentado amante, viajando para o sul com o narrador da história, Stingo (o que propicia a ele sua tardia iniciação sexual), mas o abandona, volta para Nathan, e os dois se matam com cápsulas de cianeto. Ficamos sabendo do passado de Sofia através das confissões contraditórias que faz a Stingo durante o verão em que os dois e Nathan convivem intensamente.

O que sempre me chamou mais a atenção no livro foi a discussão da vocação literária de Stingo, o narrador, o investimento de uma vida na literatura e a constatação de que há territórios inenarráveis. Por isso, sempre achei que ele “aproveitava” (no sentido dúbio que essa palavra pode adquirir) as experiências de Sofia em Auschwitz  para uma vasta, quase cósmica, reflexão sobre a luta de Eros e Tânatos no espírito humano. Abandonados por Deus, vivenciando experiências desagregadoras, todos tendem à auto-destruição e a literatura é um meio de salvação (e se revela bastante precário, como vemos no método caleidoscópico adotado por ele, misturando várias fases da sua vida) para Stingo/Styron, mesmo que ele tenha de vampirizar as desgraças alheias, como a da garota que se suicida em Nova York e que serve como base para seu primeiro romance, e as da própria Sofia. Um Eros que se alimenta vorazmente de Tânatos, criando uma culpa que será purgada através de uma devastadora depressão (acarretando um bloqueio criativo), como Styron nos relata no autobiográfico Perto das Trevas. Complementarmente, há a questão levantada em diversos pontos do romance sobre a coexistência perturbadora de diversas realidades e heranças miasmáticas (“o lento acúmulo de tanta coisa insuportável”, o que pode ser resumido por uma frase do capítulo em que o pai de Stingo (eles são da Virginia) o visita em Nova York: “Meu Deus, pensei, como é possível que o Sul e essa estridência urbana coexistam neste século?”.

A escolha de Sofia é uma obra-prima. 

 

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4 Comentários »

  1. Fiquei encantado com seus comentários e análises de obras literárias. Considerei-os de uma fina sensibilidade e de um gosto admirável. Foi como se eu estivesse lendo observações que eu gostaria de ter feito. Parabéns.Abraços.

    Comentário por Gilberto — 16/04/2010 @ 20:25 | Resposta

  2. Estou as voltas com um estudo psicanalítico sobre as consequencias da escolha da mãe, e encontrei uma visão muito interessante! Parabéns!

    Comentário por Noeliza B. S. de Lima — 28/12/2010 @ 21:52 | Resposta

    • Obrigado pelo seu comentário. Feliz ano novo.

      Comentário por alfredomonte — 29/12/2010 @ 17:34 | Resposta

  3. Sou incapaz de fazer qq. comentário.A história e a vida se fundem de modo indecifrável.

    Comentário por Miguel Lunetta — 25/05/2014 @ 14:25 | Resposta


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