
DOZE RAZÕES PARA ODIAR DAN BROWN
15.05.09- APÓS 137 capítulos de Anjos e Demônios
1) Porque ele não respeita a regra dos Illuminati: “O caminho estava oculto. Era um quebra-cabeça, construído de tal forma que apenas determinadas pessoas teriam a capacidade de encontrar os marcos” ou mais adiante: “Podem ter visto e não ter percebido o que viam. Lembra-se dos marcos dos Illuminati? A habilidade para esconder o que está à vista?” A “arte” de Don Brown consiste em reiterar o óbvio, não desvelar o desconhecido, instigar para o oculto. É um laxante espiritual, não um estimulante.
2) Porque ele subestima a inteligência dos leitores ao achar que está lhes prestando um serviço ao inserir informações de forma tosca e não-trabalhada no seu texto (por exemplo nas págs. 22-23 da edição brasileira, a respeito do termo Hassassin, ligado ao assassino da trama: “Seus antepassaos haviam formado um pequeno mas mortífero exército para se efender… hábeis carrascos que percorriam o país trucidando o inimigo onde quer que o encontrassem. Eram afamados não só por seus extermínios brutais, como por celebrá-los entregando-se ao entorpecimento causado pelo uso de drogas. A droga escolhida era uma potente substância inebriante a que chamavam de hashish, o haxixe. À medida que sua notoriedade se espalhava, esses homens letais parecem a ser conhecidos por uma única denominação: Hassassin, literalmente os seguidores do haxixe… Hoje pronuncia-se assassino”´; isso é um texto do autor ou é uma informação “colada” ?)
3)Porque ele só parece trabalhar por fórmulas. Eu li O código da Vinci antes e nele ele utilizou os seguintes elementos de Anjos e Demônios (entre os que colhi até agora):
um assassinato brutal iniciando a intriga;
o assassinado tem uma filha ou neta ou qualquer parentesco que se pense e que é sedutora, além de inteligente, e que vai fazer parte da investigação; aliás, ela está intimamente ligada ao trabalho e à missão do falecido;
há um assassino que é uma espécie de fanático, exaltado pela sua própria missão criminosa;
há mais um expert aleijado, que parece suspeito.
4) Porque o seu suposto erudito e especialista acadêmico (além de herói das histórias), Robert Langdon, se comporta indignamente, como um brocoió. Dá para imaginar alguém com formação acadêmica (e mais de que os dois neurônios “tico e teco”), quando, na pág. 51, ouve que a cientista está trabalhando em emaranhamento quântico, estudando, para tanto, um cardume de atuns, tendo a seguinte reação basbaque (que é provavelmente a reação do público subestimado ao qual ele certamente representa): “Langdon examinou o rosto de seu anfitrião em busca de qualquer vestígio de humor. Einstein e atuns. Ele começava a se questionar se o avião espacial X-33 não o teria deixado no planeta errado por engano”.Ele deve ter vindo, então, do Planeta Imbecilidade.
Aliás, a visão de Langdon como professor é ridícula. Imagine-se um professor diante de uma classe universitária, “andando diante do quadro negro e comendo uma maçã” (p.205). Parece mais uma tia do primário.
5) Porque ele no fundo se ama. Veja-se a caracterização física de Langdon (que os espectadores nunca imaginariam tendo em vista aquele penteado breguinha e ridículo de Tom Hanks querendo parecer inteligente e culto): “Apesar de não ser propriamente bonito no sentido clássico, Langdon, com seus 45 anos, possuía o que as colegas do sexo feminino classificavam de um encanto erudito, mechas grisalhas misturadas ao espesso cabelo castanho, perspicazes olhos azuis, uma voz grave atraente e o sorriso forte e despreocupado de um atleta universitário”.
6) Porque ele não pode narrar simplesmente (apesar de ser um narrador “simples”). Ele tem de “situar” o leitor em relação a tudo, tutelá-lo em tudo. Os personagens chegam em Roma. Não, eles não podem chegar simplesmente em Roma: “Roma…o caput mundi, onde César um dia reinou, onde São Pedro foi crucificado. O berço da civilização moderna. E em seu âmago… o tique-taque de uma bomba”. Valha-me Deus e todos os orixás! Que coisinha abominável!Em Roma, claro, “a brisa cheirava a café expresso e a massa de torta”.Se fosse na Bahia, cheiraria a vatapá.
7) Porque ele convoca o que há de mais estereotipado em seus personagens . A italiana Vittoria pensando no assassino do seu pai adotivo: “notava algo correndo em seu sanue italiano que nunca sentira antes: o sussurro dos ancestrais sicilianos que defendiam a honra da família com justiça brutal. Vendetta, pensou ela, pela primeira vez compreendendo o verdadeiro sentido da palavra” (209). Porca miséria!
OITO- Porque ele acredita ainda nas “historinhas morais”. Por exemplo, o tenente da guarda suíça Chartrand, na melhor tradição “gafanhoto”, pergunta ao “mestre’, o camerlengo Ventresca (e a coisa se torna mais deliciosa porque ele é o vilão da história, será então que Brown não está tirando uma da nossa cara?): Mestre, se deus é onipotente e benevolente, se ele nos ama, não deveria nos proteger do mal? O camerlengo: Tem filhos, tenente? O tenente responde que não. E o mestre, em sua sabedoria: “Imagine se você tivesse um filho de oito anos. Você o amaria?E faria tudo o que pudesse para evitar que ele sofresse na vida? (e o outro responde “claro”)…E deixaria que ele andasse de skate?”. A essa altura, Chartrand já está “admirado, e responde: “Com certeza deixaria que ele andasse de skate, mas diria a ele para ter cuidado”. O camerlengo: “Quer dizer que, como pai desse menino, você lhe daria uns bons conselhos básicos e deixaria que ele cometesse seus próprios erros?” Chartrand: “Eu não correria atrás dele para mimá-lo” O super-sábio: “E se ele caísse e ralasse o joelho?” Chartrand: “Ele aprenderia a ser mais cuidadoso”. O camerlengo, sorrindo: “Então, quer dizer que, mesmo tendo o poder de interferir e evitar que seu filho sentisse dor, você optaria por demonstrar seu amor deixando-o aprender suas próprias lições”. E assim, Deus como pai é para o ser humano, sniff, sniff…
9) Porque no fundo toda a aventura (e isso não é um defeito só de Dan Brown,já é um pressuposto hollywodiano) é resolvido na porrada. Langdon acaba mesmo é nas vias de fato com o Hassassin (na fonte e na Igreja dos Illuminati). Rambo & Cia dispensariam os adornos eruditos e renascentistas.
10) Porque ele amesquinha Kohler, o suposto vilão, com uma historinha chinfrim de ressentimento contra a igreja devido ao que aconteceu com ele quando jovem (deixando-o paralítico). As pessoas não podem ter meramente aversões ontológicas e intelectuais, tem de ter uma historinha pessoal. Isso também serve para as motivações patológicas do camerlengo, com sua historinha com o Papa (aliás, a explicação de como o assassinado resolveu ter um filho é algo “sem comentários”).
11) Porque Dan Brown age de má fé com os católicos. Várias vezes os personagens sentem “orgulho de ser católicos” diante de algum ato heróico ou grandioso, que mais tarde será transformado no seu reverso. Isso é golpe baixo.
12) Porque não dá para não imaginar como cômica (mesmo sendo uma manipulação dos eventos ) a atitude do camerlengo em gritar para o mundo a célebre frase: “Sobre esta pedra edificarei minha igreja”. O desenvolvimento da história ajuda muito, mas na hora é difícil ler sem rir.
Razões para gostar (um pouco) de Don Brown

(resenha publicada em 16.05.09, em “A Tribuna” de Santos)
Sou obrigado a confessar que a leitura preliminar de O Código da Vinci arruinou minha objetividade no julgamento de Anjos e Demônios, fazendo com que reparasse mais nos seus defeitos (transformados em fórmulas pelo livro posterior) e custasse a aceitar suas inegáveis qualidades de enredo bem arquitetado (e que, tomado em si mesmo, revela bastante engenho). Mesmo assim, tentarei aqui fazer justiça ao que a trama em que Dan Brown criou seu herói erudito, Robert Langdon, tem de melhor e que foi reciclada de forma tão ruim no romance seguinte.
Em primeiro lugar: o prazo. É muito feliz a idéia de criar um limite de tempo em que o tubo com a antimatéria roubada do laboratório do CERN na Suíça (e camuflado na imensidão do Vaticano) causará uma explosão, o que faz com que a ação fique concentrada e ágil (as inverossimilhanças de praxe são irrelevantes numa aventura desse tipo, o que incomoda mesmo são aquelas informações acadêmicas que são “coladas” pelo método mais rudimentar, sem o mínimo trabalho autoral, de forma a que o leitor sinta fraudulentamente que está aprendendo alguma coisa, quando de fato está vivenciando um pastiche do conhecimento; e também a sensação de que, além de demorar um pouco a começar, depois da explosão do artefato, o desfecho se arrasta um pouquinho demais).
Depois, para alívio daqueles que aturaram o pretensioso oportunismo de
O Código da Vinci de estar revelando segredos que abalariam a cristandade e reescrevendo a história oficial, e apesar dos embates entre ciência e religião que embasam a trama (e são a base da ação terrorista e apocalíptica atribuída aos Illuminati), Anjos e Demônios é realmente uma aventura e só: assassinatos ocorrem, há um perigo letal a ser evitado, os mocinhos correm para lá e para cá, desvendam pistas que têm a ver com gênios da humanidade (Galileu, Bernini), mas isso é decorrência da própria substância da conspiração que envolve o Vaticano e seus inimigos, e não uma jornada em direção ao desvendamento de nenhum arcano. No final, o próprio mocinho reconhece que quer mesmo é salvar a mocinha, seqüestrada pelo assassino do cientista que descobriu como criar a antimatéria (pai dela) e de quatro cardeais favoritos na sucessão do Papa, o qual se descobre ter sido envenenado. Ficasse nisso, e tivesse um texto mais bem acabado, teríamos uma obra-prima do gênero.
Por fim, ao contrário do livro que, utilizando pesquisas espúrias, transforma Maria Madalena no Santo Graal, a solução da trama não é grotescamente pífia (reparem que a história de Código da Vinci não leva a nada, só serve para a mocinha saber que pertence a uma pretensa “linhagem feminina sagrada”), Brown consegue realmente transformar o Vaticano num palco de acontecimentos hecatômbicos, além de divertidos. E até que consegue manter o verdadeiro vilão na sombra quase até o fim, embora utilizando o velho recurso de nos fazer desconfiar do personagem mais antipático, um cientista prepotente e aleijado.
Não quero enfatizar os deslizes de Anjos e Demônios principalmente por ter gostado da sua trama. Só não posso deixar de lamentar que já nesse romance, Brown tem de apelar para uma temerária credibilidade, ao colocar, logo na abertura, “FATOS”, afirmando que os apresentou fidedignamente. Ora, que importância isso teria, se sua ficção (neste caso) é inventiva e auto-suficiente? Quem se importa se o uso que faz de Galileu, Bernini e de suas esculturas, fontes e obeliscos espalhados por Roma seja verdadeiro ou falso? Neste ponto, quando nos convence da verdade da sua mentira, isto é, da sua ficção, ele ainda é um autor com potencial, talentoso. Depois, no seu livro mais divulgado, quando nos tenta convencer de que suas mentiras são verdades, já estamos no reino da lorota e da fraude… ou seja, para usar uma linguagem cara a ele, no ouro de tolos.
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Serviço: Anjos e Demônios (EUA, 2000), de Dan Brown. Tradução de Maria Luiza Newlands da Silveira. Sextante. 461 páginas. R$ 29,90.
O MAIOR MOTIVO PARA ODIAR DAN BROWN
(Resenha de junho de 2006)
Aparentemente, há duas maneiras de se encarar O Código da Vinci: ler o romance de Dan Brown como um divertido e ágil thriller, no qual o artifício de fazer a ação ocorrer quase toda em poucas horas é muito bem explorado, mesmo achando a parte supostamente polêmica uma bobagem; ou então, levar a sério sua tese de que houve uma conspiração da igreja para encobrir a ligação de Cristo com Madalena, a qual estaria cifrada na obra de Leonardo da Vinci, e, a partir dessa atitude, aceitar ou rejeitar o livro, dependendo da postura religiosa.
Contudo, não é tão simples assim. Eu normalmente adotaria a primeira maneira e leria O Código da Vinci da mesma maneira como leio, digamos, Michael Crichton, no entanto fiquei revoltado com a gritante certeza que Dan Brown tem do rebaixamento generalizado do nível cultural dos leitores.
Chega a ser ofensiva a forma com que ele coloca como “enigmas” as coisas mais óbvias e rasteiras. Por exemplo, quando o trio de investigadores (o professor de Simbologia Robert Langdon, a criptógrafa Sophie Neveu e o historiador do Graal Leigh Teabing) procura a senha de acesso ao cilindro que contém a pedra-chave que revelaria a localização do Graal, não é preciso ser muito atento ou inteligente para perceber, páginas antes, que a tal senha será, inevitavelmente, o nome da heroína (Sofia= sabedoria, em grego); no caso da próxima senha, como se trata de Isaac Newton (é no túmulo dele, em Londres, que se concentra o clímax da trama), o leitor percebe que a senha só pode ter a ver com a indefectível maçã a ele associada (e pensar que os protagonistas são apresentados como “especialistas” em símbolos, alegorias e mensagens cifradas em obras de arte e números, e ficam às voltas com essa cultura de almanaque que protege “o maior segredo da Humanidade”). Que piada! Pior ainda: é impossível não sacar que Leigh Teabing é o vilão por trás de tudo. E o constrangedor final, com sua propaganda da pirâmide modernosa que Mitterrand colocou no Louvre?
É por essas coisas que não dá para encarar O Código da Vinci meramente como uma aventura, à base da caça ao tesouro, divertida e ponto final. Estamos diante de um nível de conhecimento muito tosco para que a leitura não cause desconforto. E também há o fato de que uma idéia insuportavelmente pretensiosa sustenta esse corre-corre turístico entre Londres, Paris, Roma, Vaticano e Escócia: a de que existe uma Verdade que deve ser desmascarada (é o mesmo tipo de concepção que sustenta Os Crimes do Mosaico, comentado aqui na semana passada). Como diz Teabing, e é o que Dan Brown evidentemente espera que os leitores acreditem a respeito da sua tola historieta: “Sirvo a um mestre que está muito acima do meu próprio orgulho. A Verdade. A humanidade merece conhecer essa verdade.”
E daí que fosse Verdade (com V maiúsculo, prefere-se aqui a verdade minúscula) que a igreja manipulou a biografia de Cristo ? Os seres humanos eram melhores antes ? E seriam melhores com essa releitura ? Além disso, o leitor atento percebe que, chegando perto do final, Brown se apressa em livrar a barra da Opus Dei, como já livrara o Vaticano, de quaisquer intervenções perversas. Tudo fica por conta de Leigh Teabing.
No final, O Código da Vinci acaba lembrando muito os seriados criados por J. J. Abraams (diretor de Missão Impossível III), particularmente Alias, que teve saborosas e estapafúrdias temporadas de caça ao tesouro, em busca dos artefatos de um genérico do grande Leonardo, Carlo Rambaldi: era enigma atrás de enigma, criptograma atrás de criptograma, profecia atrás de profecia, sempre um gostinho de revelação apocalíptica prometida, e no final não se chegava a nada. O mundo não mudava, os alicerces da realidade continuavam os mesmos. Com Verdades (com V maiúsculo) assim, a igreja Católica e qualquer outro poder que represente o establishment podem dormir tranqüilos.
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serviço: O Código da Vinci (EUA, 2003). Tradução de Celina Cavalcante Falck-Cook. Editora Sextante. 423 págs. R$ 39,90.


O JOGO DO ANJO: ENTRE DICKENS E DAN BROWN
Um fenômeno interessante de se acompanhar na ficção atual é a vigência (e pujança) do modelo dickenseniano (o órfão que nos desvela um mundo) em romances ambiciosos: além das obras do genial John Irving (como As regras da Casa de Sidra e O filho de Deus vai à guerra), tivemos recentemente o esplêndido Sua resposta vale um bilhão(2005), de Vikas Swarup, e acabo de ler O jogo do anjo, publicado ano passado na Espanha. O livro faz parte de uma tetralogia que o catalão Carlos Ruiz Zafón (atualmente com 44 anos; Swarup é apenas dois anos mais velho) está urdindo, misturando diversos registros de linguagem, que vão do folhetim deslavado, do grand guignol, até altas discussões sobre o fazer literário, a história, as religiões. O primeiro título foi o grande sucesso A sombra do vento, que, levado pela idéia de que se tratava de outro Código da Vinci ou outro Caçador de pipas, eu ignorei. E, para ser sincero, só me decidi a ler O jogo do anjo porque me foi emprestado por uma amiga muito querida, cujas opiniões sobre livros, mesmo que difiram das minhas, eu prezo muito.
A primeira coisa a se destacar no romance de Zafón é que ele se alinha aos escritores atuais que ainda apostam no requinte retórico, como o Ian McEwan de Reparação ou o Alan Pauls de O Passado. É um prazer ler o portentoso texto, em todas as suas modulações (imagens, descrições, reflexões, diálogos) mesmo que às vezes a trama adquira contornos pífios, e até maçantes, pela previsibilidade. Será que ele avaliou o risco de abarcar mesmo todos os registros possíveis, até aqueles que coincidem com as receitas mais baratas dos mais reles best sellers?
A narrativa em primeira pessoa é feita por David Martín, começando em 1917, concentrando-se muito no final da década de 20, e com um epílogo em 1945. Martín tem a idade do século XX: escritor bem sucedido de histórias sanguinolentas, góticas e enfarruscadas, aluga uma casa bizarra, com um passado obscuro. Cansado de escrever na linha grand guignol e apaixonado por Cristina, secretária do seu protetor, escritor mais velho, Pedro Vidal (o qual guarda um segredo relacionado ao violento assassinato do pai do narrador), ele decide interromper uma série popular (A cidade dos malditos) e produzir dois romances ao mesmo tempo: um deles, de seu próprio punho, e mais “autêntico” com relação às suas ambições literárias (Os passos do céu) e, auxiliado por Cristina, que lhe traz os manuscritos capengas que eles, mais do que copidescam, acabam por reescrever, um romance de Vidal (A casa das cinzas). Tudo isso porque recebeu de um médico a notícia de que teria pouco tempo de vida devido a um tumor cerebral.
Pois bem, os dois livros são publicados ao mesmo tempo: o de (hãhã) Vidal se torna um clássico instantâneo, o de Martín-ele mesmo é ignorado e achincalhado, ao ponto de ser criticado como imitador do outro. Seu destino é ser enterrado num misterioso Cemitério de Livros Esquecidos, no qual David Martín (D.M.) encontra um manuscrito, Luz Aeterna, datilografado por um D.M. na mesma máquina (uma Underwood) que foi um dos atrativos para que nosso herói alugasse sua casa. Diga-se de passagem, o último proprietário chamava-se Diego Marlasca (D.M.) e seu fim fora misterioso.
Para cúmulo dos infortúnios, Cristina e Vidal se casam. Sozinho, desiludido, fracassado, Martín recebe a proposta de escrever um livro que “crie uma religião” (e cuja descrição se parece com o ideário fascista, que a Espanha logo conhecerá com Franco) de um editor “francês”, Andréas Corelli, o “anjo” do título (e que já se comunicara por escrito com ele algumas vezes antes de aparecer pessoalmente na história). Martín passa uma noite na casa de Corelli e acorda curado da sua doença, embora comece a ser suspeito (é seguido e importunado por três policiais, um simpático, inspetor Grandes, e dois truculentos) de crimes que vão se sucedendo (os primeiros a morrer são os editores que exploravam o talento de Martín com um contrato draconiano) na colorida e diversificada Barcelona.
Cada vez mais intimidado por Corelli, horrorizado e ao mesmo tempo fascinado pelo texto que escreveu para ele (tanto que não consegue destruí-lo), Martín começa a investigar o passado da sua casa e a verdade sobre a morte de Marlasca…

Bom, acho que isso dá uma idéia mínima do que ocorre em boa parte de O jogo do anjo. E não há como negar que clichês à parte (casa mal assombrada, passagens secretas, aparições sobrenaturais, crimes que parecem sempre apontar para o “homem errado”: o protagonista) é tudo muito envolvente e acima da média. O problema é o excesso, a intoxicação de dados ficcionais que estrangulam a narrativa e fazem com que seu terço final se assemelhe cada vez mais com um balão que murcha, murcha, pela impossibilidade de se resolver a narrativa, tal como foi armada, de uma forma satisfatória. Então, o autor nos empurra goela abaixo a providencial burrice do seu herói (é difícil de alguém com o background folhetinesco e grand guignol que ele carrega não adivinhar que Diego Marlasca nunca poderia estar morto, que o policial que foi afastado do caso por investigar demais, na verdade é um dos vilões, e que Cristina, a heroína, foi atacada por Corelli por sua tentativa de ler o manuscrito maldito do amado, e por isso vai parar num sanatório, estropiada e semi-catatônica… e, incrível, ele não relaciona um fato com outro!!!!), uma narrativa que vai se encaminhando, como muitos filmes que desperdiçam seus engenhosos argumentos, para a luta corporal como forma de resolução dos conflitos (Martín lutando com o simpático, mas corrupto, inspetor Grandes num teleférico; Martín em luta com o demoníaco Marlasca no quarto secreto da casa onde ambos moraram) e, por fim, a aceitação pacífica de uma sobrenaturalidade espúria pairando sobre a trama e o real, gerando até personagens imortais que repetem ciclos de tormento e maldição (D.M); apesar de haver um aspecto interessante nisso, que é a ligação com a luta pela imortalidade através das palavras e da literatura. Mas Zafón vem, ele mesmo, acrescentar um toque de senso comum piegas que ajuda a entornar o caldo: há uma personagem a que não me referi até agora (talvez porque ela seja um dos elementos irritantes e excessivos de O jogo do anjo), Isabella, que se apresenta a Martín como aprendiz de escritora, que vai morar na casa dele e que aparecerá com a seguinte pérola lá pela página 316, “resolvi que prefiro viver a vida a escrevê-la”. Ta bom, Zafón… Ah, a nostalgia de VIVER a vida. Nada mais certeiro para abalar um bom romance do que essa falácia.
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Serviço: O jogo do anjo (El Juego del Angel, Espanha-2008), de Carlos Ruiz Zafón. Tradução de Eliana Aguiar. Editora Objetiva- Selo Suma de Letras (que cafona!), que apresenta uma das mais horrendas capas que já vi na vida. 410 páginas. R$ 42,90.
Bem, eu adorei o livro e estou doido para ver o filme. Tem o trailer em http://guiaitalia.wordpress.com/2009/05/11/trailer-do-filme-anjos-e-demonios/
IRADO!!!!
Comentário por Andrea Midos — 12/05/2009 @ 20:22 |
Eu achei esse negócio de odiar o Dan Brown um absurdo. Não percebi, em nenhum dos meios em que escreveu, alguma crítica à religião católica. Na verdade, eu o acho inteligentíssimo, e, uma pessoa e como eu e garanto que você também, não seria capaz de escrever livros como estes.
Fê
Comentário por Fernanda — 10/06/2009 @ 17:10 |
gente absurdo apelidoo
pra vc escreveu tao mal de dan brown concerteza vc tem que ter lido né..
e nao da pra ler sem gostar um livro que é bem grandinho.
Ele é e splendido no que faz escreve maravilhosamente bem, e nao nao da pra chega simplesmente em roma. Aquilo que ele passa deixa a leitura mais interessante sim
E c vc odeia .. nao tem de ver o que é inteligencia ou um livro bem feito.
Nao tem capacidade e chega as pes de Dan Brown
Comentário por jane — 23/06/2009 @ 14:52 |
O que você escreveu sobre Dan Brown é pura idiotisse, bobagem, besteira, (e o que mais você preferir)… Dan Brown é um dos maiores gênios da literatura moderna, e se você fala assim tão mal dele é porque sente inveja de não ter um intelecto como o dele! Dan Brown é genial, suas obras são verdadeiras obras de arte! Já li todos os livros dele, e não encontrei nenhum erro “grotesco” que você cita aí!
Se toca e vai procurar o que fazer! Você pode falar mal de qualquer um… Mas de DAN BROWN não!
Por favor, responda este cometário! PLIS!
Comentário por Pedro Lourenço — 10/07/2009 @ 5:16 |
Concordo com o Pedro Lurenço!
Pedro você foi ótimo, disse tudo! Amooo o Dan Brown e vou enriquecer minha vida com estas leituras,e você que escreveu mal dele deve mesmo procurar o que fazer! E quer uma sugestão? continue a ler também os livros do Dan…mas leia BASTANTE leia meeesmooo, pra ver se muda um pouco essa mentalidade de amendoim torrado.
Comentário por Elaine — 02/08/2009 @ 0:02 |
caramba, logo se vê que vc não entende nada de Dan Brown. Vc não pode chegar criticando o que vc não conhece, e se vc não gosta dos livros, simplismente não leia, pq não vai fazer nenhuma falta pro Dan. é pura besteira o que vc ta falando, e o que ele escreve no livro dele não é invensão da cabeça dele não, existem milhões de teorias conspiratórias que de certa forma “provam” atraves de fatos históricos que o santo graal e os iluminate podem sim ter existido e feito história, e é isso também que os documentários sobre a igreja católica, sobre opusdei (que eu ja assisti quase todos) e pesquisas feitas por vários hitoriadores, dizem também, então estude antes de falar sobre o que vc não sabe!
Comentário por vanessa — 04/09/2009 @ 23:25 |
Nossa…umas das melhores leituras que já fiz, ”O jogo do Anjo”.
Achei bem original, e não teve nada de acontecer coisas previsíveis.
E a capa, muito boa tbm.
Achei Carlos Ruiz Muito original mesmo.
Nenhum mau escritor vende tão bem.
Comentário por Darlene Barros — 07/12/2009 @ 9:48 |